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	<title>MondoPost &#187; Oriente Médio</title>
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	<description>Relações Internacionais de verdade!</description>
	<pubDate>Sat, 10 Oct 2009 20:52:23 +0000</pubDate>
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		<title>Nunca houve tantos escravos como na atualidade, diz pesquisador</title>
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		<pubDate>Sat, 22 Aug 2009 17:21:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Enrique Villalobos</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[América Central]]></category>

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		<category><![CDATA[Artigos / Opinião]]></category>

		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>

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		<category><![CDATA[escravidão]]></category>

		<category><![CDATA[slavery]]></category>

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Na noite de 22 para 23 de agosto de 1791, a ilha de Santo Domingo (hoje Haiti e República Dominicana) assistiu ao começo de uma insurreição que teria um papel decisivo na abolição do tráfico transatlântico de escravos. Hoje, o 23 de agosto é comemorado pela Unesco como o Dia Internacional de Lembrança do Tráfico [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-1373" title="slavery" src="http://www.mondopost.com.br/wp-content/uploads/2009/08/slavery.jpg" alt="slavery" width="540" height="195" /></p>
<p>Na noite de 22 para 23 de agosto de 1791, a ilha de Santo Domingo (hoje Haiti e República Dominicana) assistiu ao começo de uma insurreição que teria um papel decisivo na abolição do tráfico transatlântico de escravos. Hoje, o 23 de agosto é comemorado pela Unesco como o Dia Internacional de Lembrança do Tráfico de Escravos e sua Abolição.</p>
<p>Sobre este assunto, a Deutsche Welle entrevistou o jornalista norte-americano Benjamin Skinner, autor do livro <strong>A Crime So Monstrous: Face-To-Face with Modern-Day Slavery</strong> (Um crime tão monstruoso: face a face com a escravidão hoje). O professor do <em>Carr Center for Human Rights Policy da Harvard Kennedy School</em> adverte que escravos hoje são muito mais baratos do que em qualquer outro momento da história da humanidade.</p>
<p>Deutsche Welle: <em>A escravidão é um fato do passado?</em></p>
<p>Benjamin Skinner: Com certeza, não. Embora existam mais de 300 tratados internacionais e mais de uma dúzia de convenções universais exigindo o fim da escravidão e do comércio de escravos, este ainda é um problema que desafia o mundo moderno. Pessoas e nações presumem que a lei seja suficiente para erradicar o comércio, mas não é. A abolição legal é um primeiro passo necessário, mas a abolição real requer a aplicação rigorosa dessa lei para perseguir os traficantes e proteger e reabilitar as vítimas.</p>
<p><em>Quantos escravos existem hoje no mundo?</em></p>
<p>Como a escravidão é ilegal em qualquer parte do mundo, os traficantes escondem suas vítimas, temendo as autoridades. Em qualquer país, escravos são uma população oculta. Mas as estimativas mais amplamente aceitas apontam que haja entre 12,3 milhões e 27 milhões de escravos.</p>
<p><em>E em números relativos, em comparação com o passado?</em></p>
<p>Há mais escravos hoje do que em qualquer outro momento da história da humanidade. Mas, por mais deprimentes que sejam os números absolutos, podemos encontrar certo consolo no fato de a porcentagem de escravos na população mundial ser hoje menor. Os três grandes movimentos abolicionistas do passado de fato trouxeram progressos. Mas ainda há muito a ser feito neste quarto e último.</p>
<p><em>O que caracteriza a condição de escravo?</em></p>
<p>Escravos são pessoas forçadas a prestar um serviço, mantidas ilegalmente e ameaçadas com violência, sem pagamento e em esquema de subsistência. São pessoas que não podem fugir de seu trabalho.</p>
<p><em>Que tipo de trabalho eles fazem hoje em dia?</em></p>
<p>São usados em todos os ramos da indústria, da agricultura e do setor de serviços. A maioria é forçada a trabalhar para quitar uma dívida, em muitos casos herdada de um ancestral. Todo ano, centenas de milhares são forçados a cruzar fronteiras internacionais para executar trabalhos domésticos ou manuais, também como pedintes, ou se tornam vítimas de prostituição forçada. Crianças são obrigadas a lutar em guerras civis brutais; homens e mulheres, espoliados e obrigados a produzir componentes de produtos de consumo que você talvez tenha em casa. A escravidão está em todo e em nenhum lugar.</p>
<p><em>Que motivos levam hoje à escravidão?</em></p>
<p>As circunstâncias de cada escravo são diferentes, claro, mas há temas recorrentes. Em primeiro lugar, escravos tendem a vir de comunidades profundamente empobrecidas e socialmente isoladas. Tendem a ser jovens, do sexo feminino, com acesso restrito a educação e saúde, e sem qualquer acesso ao crédito formal. Também costumam viver em áreas onde o domínio da lei é fraco e criminosos podem tirar vantagem de sua vulnerabilidade  e isolamento para lucrar.</p>
<p><em>Que países e regiões possuem o maior número de escravos?</em></p>
<p>O sul da Ásia em geral – e a Índia, em particular – possui mais escravos do que todo o resto do mundo junto. A abolição do trabalho escravo na Índia, assim como a do sistema de castas, continua sendo uma promessa não cumprida. Nos níveis estaduais e distritais, bem como nos panchayats [sistema político indiano que agrupa quatro vilas em volta de uma vila central], a boa intenção das leis nada significa para os milhões de pessoas forçadas a trabalhar para pagar uma dívida que, em muitos casos, foi feita gerações antes.</p>
<p><em>E na América Latina?</em></p>
<p>Há centenas de milhares, talvez milhões de escravos na América Latina. O Haiti tem umas 300 mil crianças escravas. Ofereceram-me uma por 50 dólares numa rua de Porto Príncipe, a cinco horas de distância da minha casa em Nova York. Dezenas de milhares são traficadas da América Central e do México para localidades mais ao norte. Nos Estados Unidos, a maior parte dos escravos é mexicana ou foi traficada através do México.</p>
<p>Ironicamente, o Brasil, um dos últimos países a abolir formalmente a escravidão, é hoje um dos mais proativos no combate ao tráfico. Equipes móveis de inspeção do Ministério brasileiro do Trabalho resgatam cerca de 5 mil escravos por ano. Mas infelizmente eles não recebem aconselhamento ou proteção adequados, e dá para contar nos dedos de uma mão quantos criminosos foram condenados. Ou seja, quase a metade dos escravos resgatados volta ao regime escravo. Ainda há muito a ser feito na região.</p>
<p><em>Qual o papel do Estado em países onde existe escravidão?</em></p>
<p>A escravidão existe onde os Estados são fracos ou corruptos, mas ela também pode ser usada por regimes autoritários como forma de controlar a população. Por exemplo, no Sudão, onde o governo do norte armou e encorajou as milícias a escravizar durante uma guerra civil de 22 anos. Ou em Mianmar, onde o governo impõe o regime de corvéia à população rural.</p>
<p><em>É sabido que, em certos países, é possível libertar um escravo pagando por ele. Algumas organizações fazem isso. Você considera este um caminho válido?</em></p>
<p>Certamente não. Por mais que comprar a liberdade de um escravo faça o comprador se sentir bem, essa prática, na melhor das hipóteses, dá margem à corrupção. Na pior delas, incentiva o comércio com a miséria humana.<br />
<em><br />
Quanto custa um escravo hoje?</em></p>
<p>Escravos hoje são mais baratos do que nunca. Presenciei negociações de venda em quatro continentes e recebi ofertas de 45 dólares na África do Sul até cerca de 2 mil dólares (na verdade, tratava-se da troca por um carro usado) na Romênia. Com mais de 1,1 bilhão de pessoas subsistindo com menos de um dólar por dia, a oferta de potenciais escravos é praticamente ilimitada.</p>
<p><em>Quais são as consequências tardias da escravidão nas sociedades em que ela existiu, como nos EUA e na América Latina?</em></p>
<p>Países que falham em lembrar que a escravidão é um compromisso vivo estão condenados a viver em insegurança e desigualdade, e em meio a atividades criminosas. Mas aqueles que se encarregarem da difícil tarefa de eliminar a escravidão serão recompensados com sociedades mais prósperas e pacíficas. O que me lembra as palavras de Maya Angelou: &#8220;<strong><em>A história, por mais dolorosa, não pode ser &#8216;desvivida&#8217;. Mas, se enfrentada com coragem, não precisa ser revivida</em></strong>&#8220;.</p>
<p>Autor: Pablo Kummetz</p>
<p>Revisão: <a href="http://www.dw-world.de/dw/article/0,,4589344,00.html?maca=bra-rss-br-all-1030-rdf" target="_blank">Roselaine Wandscheer</a></p>
<p><em>Imagem: <a href="http://www.flickr.com/photos/quettabalochistan/2986608888/" target="_blank">Fonte</a>.</em></p>
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		<title>Líder supremo do Irã confirma Ahmadinejad na presidência</title>
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		<pubDate>Mon, 03 Aug 2009 15:38:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Marquine</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Colunas]]></category>

		<category><![CDATA[Oriente Médio]]></category>

		<category><![CDATA[eleições iranianas]]></category>

		<category><![CDATA[Irã]]></category>

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O supremo líder do Irã, aiatolá Ali Khamenei, endossou formalmente Mahmoud Ahmadinejad como vencedor da eleição presidencial realizada no último dia 12 de junho, segundo noticiou nesta segunda-feira, 3, a emissora de televisão estatal do país. O apoio formal do aiatolá ocorre dois dias antes da posse de Ahmadinejad para seu segundo mandato.
A formalização ocorre [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.mondopost.com.br/wp-content/uploads/2009/08/ahmadinejad.jpg" alt="ahmadinejad" title="ahmadinejad" width="540" height="195" class="alignnone size-full wp-image-1319" /></p>
<p>O supremo líder do Irã, aiatolá Ali Khamenei, endossou formalmente Mahmoud Ahmadinejad como vencedor da eleição presidencial realizada no último dia 12 de junho, segundo noticiou nesta segunda-feira, 3, a emissora de televisão estatal do país. O apoio formal do aiatolá ocorre dois dias antes da posse de Ahmadinejad para seu segundo mandato.</p>
<p>A formalização ocorre ainda em meio a acusações de que oposicionistas que protestaram contra o resultado das eleições, em junho, teriam sido torturados na prisão. Mais de cem oposicionistas, entre eles figuras importantes de antigos governos reformistas, foram julgados no sábado por acusações como vandalismo, tumulto e conspiração.</p>
<p>Khamenei saudou a votação &#8220;sem precedentes&#8221; que garantiu um novo mandato ao governante. &#8220;A votação decisiva e sem precedentes do povo para o presidente respeitado e eleito é um aval para o nono mandato de quatro anos de governo&#8221;, afirmou o líder supremo num decreto que confirma Ahmadinejad como presidente. Khamenei também elogiou Ahmadinejad como &#8220;corajoso, astuto e trabalhador&#8221;. Segundo a tevê estatal Al-Alam, o líder supremo declarou ainda que &#8220;o povo iraniano votou em favor de uma luta contra a arrogância, para confrontar a miséria e disseminar a justiça&#8221;.</p>
<p>Segundo a televisão oficial iraniana, o ato realizado na mesquita xiita Imame Khomeini teve a presença dos chefes dos três poderes, membros do Conselho de Guardiães, membros do Parlamento islâmico e outras autoridades civis e militares, assim como o corpo diplomático credenciado em Teerã. No entanto, destacou-se a ausência do chefe da Assembleia de Especialistas, aiatolá Ali Akbar Hashemi Rafsanjani, e proeminentes personalidades reformistas, como o ex-presidente iraniano Mohamad Khatami.</p>
<p>O artigo 110 da Constituição iraniana estabelece que o presidente eleito tem que receber a aprovação do líder supremo iraniano, ato que aconteceu perante as mais importantes autoridades do Irã. Assim, Ahmadinejad, sob cujo governo aumentou o desemprego, a inflação e a marginalização internacional do Irã, foi ratificado na Presidência para outro mandato de quatro anos.</p>
<p><strong>Julgamentos de opositores</strong></p>
<p>Opositores e até políticos de linha dura no Irã criticaram o julgamento dos manifestantes que foram às ruas protestar contra o resultado da eleição de 12 de junho, que reelegeu o presidente Mahmoud Ahmadinejad, que assume quarta-feira seu segundo mandato. Mais de 100 pessoas começaram a ser julgadas no fim de semana, em uma audiência vista pela oposição como ilegal.</p>
<p>A principal acusação de tortura partiu do candidato derrotado à Presidência Mir Hossein Mousavi. No domingo, ele disse que as confissões apresentadas pelos réus no julgamento foram obtidas sob &#8220;tortura medieval&#8221;. No julgamento, os réus disseram à corte que as alegações de fraude nas eleições eram &#8220;infundadas&#8221;.</p>
<p>Segundo a BBC, outro importante nome da oposição iraniana, o ex-presidente Mohammad Khatami, criticou o julgamento e disse que as confissões dos réus foram forçadas e são &#8220;inválidas&#8221;. Em seu site, Khatami afirmou que o &#8220;julgamento de fachada&#8221; vai prejudicar a confiança no regime islâmico do Irã. &#8220;O que ocorreu é contra a Constituição, as leis normais e os direitos dos cidadãos&#8221;, disse Khatami, que governou o Irã de 1997 a 2005. &#8220;O principal problema com este julgamento é que ele não foi realizado em sessão aberta. Os advogados e os réus não foram informados sobre o conteúdo dos casos antes do julgamento&#8221;, afirmou o ex-presidente.</p>
<p>O julgamento recebeu críticas até mesmo de Mohsen Rezai, o candidato conservador que também disputou as eleições de junho. Rezai disse que as pessoas que atacaram os manifestantes nos protestos após as eleições também deveriam ser julgadas. </p>
<p>As audiências foram a última cartada do governo para sufocar as acusações de que as eleições foram fraudadas. É a primeira vez desde a Revolução Islâmica de 1979 que dezenas de funcionários de alto escalão - entre eles, ministros, vice-presidentes e parlamentares - vão parar no banco dos réus. Imagens de TV mostraram, entre os jovens, políticos conhecidos, como o vice-presidente Mohammad Ali Abtahi (o Irã tem vários vices).</p>
<p>Segundo a agência oficial Irna, as acusações contra os manifestantes vão de atentar contra a segurança nacional a planejar protestos, passando por conspiração, ataques a prédios do governo e a forças militares. </p>
<p>Via <a href="http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,lider-supremo-do-ira-confirma-ahmadinejad-na-presidencia,412665,0.htm">Estadão</a>.</p>
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		<title>Obama já discursou para árabes, iranianos e turcos, mas ignorou Israel</title>
		<link>http://www.mondopost.com.br/2009/07/31/obama-ja-discursou-para-arabes-iranianos-e-turcos-mas-ignorou-israel/</link>
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		<pubDate>Fri, 31 Jul 2009 16:49:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Marquine</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Artigos / Opinião]]></category>

		<category><![CDATA[Oriente Médio]]></category>

		<category><![CDATA[Política Internacional]]></category>

		<category><![CDATA[israel]]></category>

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		<description><![CDATA[
Barack Obama discursou no Cairo para o mundo islâmico e, acima de tudo, para os árabes. Deu entrevista, pouco depois de tomar posse, para a rede de TV Al Arabyiah. Os iranianos receberam uma mensagem de afeto durante uma celebração persa. O presidente ainda visitou a Turquia, de maioria islâmica, apesar de ser um regime [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img alt="" src="http://www.mondopost.com.br/wp-content/uploads/2009/06/obamaspeech.jpg" class="alignnone" width="540" height="195" /></p>
<p>Barack Obama discursou no Cairo para o mundo islâmico e, acima de tudo, para os árabes. Deu entrevista, pouco depois de tomar posse, para a rede de TV Al Arabyiah. Os iranianos receberam uma mensagem de afeto durante uma celebração persa. O presidente ainda visitou a Turquia, de maioria islâmica, apesar de ser um regime secular.</p>
<p>No Oriente Médio, só faltam os judeus e algumas minorias como a curda. Iranianos, turcos e árabes puderam escutar o que Obama tinha a dizer. Mas, conforme salientou Aluf Benn, colunista do Haaretz, em artigo publicado no New York Times, o presidente dos Estados Unidos ainda não se dirigiu para Israel. Apenas se encontrou com o premiê Benjamin Netanyahu e cobrou o congelamento dos assentamentos. O problema é que não fez um discurso para os israelenses dizendo seus objetivos para alcançar a paz e – importantíssimo para Israel – a segurança, especialmente em relação à ameaça iraniana.</p>
<p>Esta omissão leva os israelenses, de todo o espectro político, a imaginar que Obama, na sua tentativa de se aproximar do mundo islâmico, deixará o Estado judaico isolado. Para os israelenses, isso é muito grave. A percepção em Tel Aviv e Jerusalém Ocidental é de que a comunidade internacional e a imprensa – inclusive americana – possui um viés pró-palestino. A única segurança deles era o governo dos EUA, que, na visão de Israel, agora também pende para o lado árabe na administração de Obama.</p>
<p>Caso não se dirija aos israelenses e explique exatamente o que quer, Obama isolará a mais fundamental peça em qualquer acordo de paz. Sem Israel, não há paz. E os contrários à paz apenas poderão se fortalecer, com o presidente dos Estados Unidos sendo alvo de ataques racistas.</p>
<p>Não seria complicado organizar uma visita para Israel. Já que almeja tanto a paz, Obama deveria visitar Tel Aviv, para ver a cidade mais avançada do Oriente Médio; Jerusalém, pare tentar entender se dá ou não para dividir; Haifa, para observar os resquícios de uma convivência pacífica; Nazaré, para conhecer melhor a vida dos árabes-israelenses; o Golan ocupado ilegalmente, para verificar a frente síria do conflito; e, claro, assentamentos judaicos na Cisjordânica, Ramallah, Hebron e Nablus. Por questões de segurança, dá apenas para entender que o presidente não visite Gaza. Mas o resto seria obrigação dele. Obama não pode perder Israel. Não adianta puxar-saco na época da eleição para ter o voto judaico. Precisa manter a aliança e o respeito quando assume a Presidência.</p>
<p>Autor: <a href="http://blog.estadao.com.br/blog/chacra/?title=obama_ja_discursou_para_arabes_iranianos&#038;more=1&#038;c=1&#038;tb=1&#038;pb=1">Gustavo Chacra</a></p>
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		<title>A voz silenciada</title>
		<link>http://www.mondopost.com.br/2009/07/23/a-voz-silenciada/</link>
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		<pubDate>Thu, 23 Jul 2009 17:49:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mário Machado</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Artigos / Opinião]]></category>

		<category><![CDATA[Conflitos Armados]]></category>

		<category><![CDATA[Oriente Médio]]></category>

		<category><![CDATA[Ásia-Pacífico]]></category>

		<category><![CDATA[Irã]]></category>

		<category><![CDATA[Neda]]></category>

		<category><![CDATA[revolução]]></category>

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Há ocorrências na vida real que fazem a ficção parecer pouco imaginativa. O assassinato da bela jovem iraniana Neda, foi divulgado viralmente por toda internet, a mistura de horror e curiosidade mórbida ajudou a divulgar o chocante vídeo. Para a maioria das pessoas é muito raro assistir o exato momento em que a vida cessa, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-1271" title="neda-kreuz" src="http://www.mondopost.com.br/wp-content/uploads/2009/07/neda-kreuz.jpg" alt="neda-kreuz" width="540" height="195" /></p>
<p>Há ocorrências na vida real que fazem a ficção parecer pouco imaginativa. O assassinato da bela jovem iraniana Neda, foi divulgado viralmente por toda internet, a mistura de horror e curiosidade mórbida ajudou a divulgar o chocante <a href="http://www.youtube.com/watch?v=bbdEf0QRsLM" target="_blank">vídeo</a>. Para a maioria das pessoas é muito raro assistir o exato momento em que a vida cessa, ainda mais daquela forma tão efêmera, tão à toa, e com todos aqueles celulares morbidamente filmando (cá entre nós, eu não conseguiria continuar filmando).</p>
<p>Além de sua juventude e beleza, o que chama a atenção é que a tradução do significado do nome Neda é “voz”, o que ajuda a construir o mito, o símbolo, que está para esse início de século, como aquele <a href="http://www.mondopost.com.br/2009/06/05/protesto-na-praca-da-paz-celestial-20-anos-depois-galeria-de-imagens/" target="_blank">homem</a> franzino de camisa branca, gravata e pasta que parou uma coluna de tanques na Praça da Paz Celestial, esteve para o final do século passado.</p>
<p>Escrevi aqui que há algo de desumano nesse processo de transformação em ícone, há algo de muito desagradável para mim, transformar a morte dessa jovem no símbolo de uma causa, uma causa indefinida, que muitos querem que seja a causa da liberdade e democracia no Irã, ou a causa da revolução de um outro mundo possível. Ou qualquer outra coisa assim, e vão a transformando em mito, em símbolo, e lhe retiram a humanidade, lhe dão uma voz de heroína, mas nada muda o fato de que sua voz foi extirpada da terra injustamente.</p>
<p>Injustamente como milhões, ouso dizer bilhões de outros jovens que derramaram, derramam e derramarão seu sangue, por convicção de suas causas, por obrigação, pra se defender ou para atacar os outros. São chamados de mártires. São heróis, vítimas, algozes, vilões ou soldados desconhecidos. Rótulos, que servem a causas, mas não servem para descrever a barbárie em que vivemos. Porque, sem sombra de dúvida, a voz que faz falta para a família não é a voz da revolução, mas a de Neda, seus maneirismos, suas esperanças, tudo que ela poderia ou não ter sido.</p>
<p>Tenho uma convicção de que quando não levamos em conta o fator humano, as pessoas e o impacto das ações na vida das pessoas, perdemos parte de nossa humanidade, não obsta quão nobre acreditemos que são nossos passos, daí mesmo a sabedoria popular dizer que de boas intenções o inferno está cheio.</p>
<p>Analisar as relações internacionais é, sem dúvida, analisar coletividades, sociedades, traços gerais e ações de atores relevantes. As teorias os transformam em entes racionais, em entidades sistêmicas, como partículas numa molécula. Isso nos ajuda a entender, mas não podemos perder de vista as pessoas. Isso quer dizer que eu acredito que devemos fazer ciência social para mudar a realidade? Não. Quer dizer que temos responsabilidades com a humanidade, com a nossa própria humanidade. Isso não pode ser jamais esquecido, teorias e ideologias não podem nos cegar ao ponto de achar que a vida não é o máximo valor a ser preservado.</p>
<p>As idéias podem até mesmo viver mais que as pessoas, mas é uma questão do que vem primeiro, o ovo ou a galinha, nesse caso é bem mais fácil, mesmo sendo imateriais e imortais as idéias são gestadas pelas pessoas, uma prova a mais do valor da vida humana e da tragédia, que é a perda. Não tenho ilusões, milhares de vidas são perdidas a todo o momento, sem motivos e com motivos. Tudo isso é uma realidade que acredito ser imutável, algo que está na natureza humana, nós somos criativos em novos meios e justificativas para nos matar, mas não custa nada ter a esperança de que possamos, ao menos, minimizar a quantidade de sangue perdido, ainda mais sobre ilusões utópicas ou atos gratuitos de violência.</p>
<p>De todo modo a morte daquela jovem ficará na minha mente, não como símbolo de uma geração que clama por liberdade, ou símbolo da ignorância e intolerância daqueles que se encastelam no poder, mas sim como marca de como viver é um verbo transitório, ainda que a gramática não corrobore isso.</p>
<p>Politicamente todos esses episódios revelaram uma oposição existente no Irã, mas até agora o grosso dessa oposição é interna ao regime, pretende mantê-lo com alguma variação e no final tudo se mantêm como estava. O regime parece começar a decair, mas não há como antever o ritmo dessa queda, nem que tipo de reformação política haverá, ainda mais porque a sociedade iraniana é antiga, sofisticada e não a invenção de regimes colonialistas. Como analista, também nos cabe evitar ver o mundo como uma batalha entre bem e o mal, por que é no cinza dessa luta de sombras e luz que quase todos nós vivemos.</p>
<p><em>Imagem: Neda Kreuz.</em></p>
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		<title>Volta do soldado. Ou vingança</title>
		<link>http://www.mondopost.com.br/2009/07/18/volta-do-soldado-ou-vinganca/</link>
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		<pubDate>Sat, 18 Jul 2009 18:56:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Enrique Villalobos</dc:creator>
		
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O noticiário é sobre os grandes fatos e promessas. Obama diz que vai ajudar a África a sair da sua miséria. O grande não emociona.
Quando se pergunta a soldado israelense o que ele mais teme, a resposta é surpreendente. Diz cair prisioneiro de forças ilegais.
É da tradição das forças armadas tudo fazer para trazer de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-1256" title="gilad-shalit" src="http://www.mondopost.com.br/wp-content/uploads/2009/07/gilad-shalit.jpg" alt="gilad-shalit" width="540" height="195" /></p>
<p>O noticiário é sobre os grandes fatos e promessas. Obama diz que vai ajudar a África a sair da sua miséria. O grande não emociona.</p>
<p>Quando se pergunta a soldado israelense o que ele mais teme, a resposta é surpreendente. Diz cair prisioneiro de forças ilegais.</p>
<p>É da tradição das forças armadas tudo fazer para trazer de volta a tropa com seus mortos e feridos. Empenhar tudo para a libertação de prisioneiros. Existem convenções sobre o tratamento ao preso. A Cruz Vermelha tem acesso e traz noticias. Nas guerras nada lembra o homem civilizado. Mas sempre sobra um mínimo de humanidade. Mas os grupos terroristas não têm limites.</p>
<p>A guerra do Iraque é modelo das guerras atuais entre tropas representando estados e os grupos ilegais, a chamada guerra assimétrica. Os terroristas refinaram a crueldade. Degolam prisioneiros e videografam para mostrar ao mundo. Ataques por homens-bomba matam indiferentemente crianças, mulheres, velhos. O objetivo do terrorismo é aterrorizar. Vale tudo. A imaginação do homem não tem limites quando tem como justificar o pior. Jihad é guerra supostamente abençoada por Deus. Não cria problema de consciência.</p>
<p>A guerra do Líbano de 2006 foi precitada pelos indícios de que o Hizbolá, o partido de Deus, tinha atravessado a linha da fronteira, destruído um carro de combate e capturado dois soldados.</p>
<p>A fronteira é linha imaginaria. Pequena tropa israelense foi lançada em perseguição dos raptores. Não foram alcançados. E acabou escalando para guerra. E longo processo de negociação com intermediação internacional para se chegar a um preço pela liberdade dos detidos. Centenas de presos em Israel em troca dois soldados. Até o ultimo instante as famílias acreditavam que estavam vivos. Vieram dois corpos.</p>
<p>No momento há o caso do soldado Gilad. Foi raptado numa armadilha a um carro de combate há três anos nas proximidades de Gaza. Havia um companheiro que foi morto na hora. Há três anos que o governo de Israel com a ajuda de intermediários, inclusive Mubarak, presidente do Egito, tenta negociar o preço da libertação. Enquanto isto, nem a família, nem diplomatas estrangeiros, nem mesmo o expresidente Carter dos Estados Unidos (que esteve em Gaza há poucos dias), ninguém consegue acesso. Vê-lo para saber se está vivo.</p>
<p>Em meados da semana passada o presidente Mubarak disse que o jovem estava bem, em plena saúde, e logo terminariam os entendimentos. O Hamas, Movimento de Resistência Islâmica, o grupo palestino que domina Gaza, desmentiu Mubarak. “Apenas um pequeno circulo dentro do setor militar do Hamas é mantido informado sobre a condição do soldado. A liderança do Hamas não é  mantida informada”.</p>
<p>E al Muzeini, responsável por Shalid em nome do Hamas, ainda acrescentou: ”Não sabemos se está ferido, doente ou morto. É a verdade”. Três anos. O pai do soldado, incansável no esforço de libertá-lo, já rodou o mundo. A família vive na angustia da incerteza e esperança. O País inteiro como que assumiu a paternidade do prisioneiro.</p>
<p>O drama de um só individuo é mais tocante do que de grandes números. Um tem cara, centenas são abstração. Se algo de definitivo aconteceu ao soldado será incontrolável o sentimento de vingança&#8230;</p>
<p>Por <a href="http://ultimosegundo.ig.com.br/opiniao/nahum/2009/07/11/volta+do+soldado+ou+vinganca+7245918.html" target="_blank">Nahum Sirotsky</a>, correspondente iG em Israel.</p>
<p><em>Imagem: <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Gilad_Shalit" target="_blank">Gilad Shalit</a>.</em></p>
<img src="http://www.mondopost.com.br/?ak_action=api_record_view&id=1255&type=feed" alt="" />]]></content:encoded>
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		<title>O perigo é a bomba do Paquistão</title>
		<link>http://www.mondopost.com.br/2009/06/27/o-perigo-e-a-bomba-do-paquistao/</link>
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		<pubDate>Sat, 27 Jun 2009 22:48:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Enrique Villalobos</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Artigos / Opinião]]></category>

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Não é exagero dizer que a chamada Comunidade Internacional mais uma vez fracassou em impôr o respeito à lei internacional. A Coreia do Norte amedronta com suas ameaças por ter a bomba atômica. O engajamento diplomático não dá resultados. O Irã ignora todas as iniciativas visando convencê-lo a desistir de sua aparente determinação de se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.mondopost.com.br/wp-content/uploads/2009/06/sign.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-1083" title="sign" src="http://www.mondopost.com.br/wp-content/uploads/2009/06/sign.jpg" alt="sign" width="540" height="195" /></a></p>
<p><strong>Não é exagero dizer que a chamada Comunidade Internacional mais uma vez fracassou em impôr o respeito à lei internacional. A Coreia do Norte amedronta com suas ameaças por ter a bomba atômica. O engajamento diplomático não dá resultados. O Irã ignora todas as iniciativas visando convencê-lo a desistir de sua aparente determinação de se transformar em potência nuclear e ser o maior poder na região. Segundo foi noticiado, Mubarak, presidente do Egito, disse que Teerã quer engolir o mundo árabe.</strong></p>
<p>Além de xiita, seita oposta à sunita que é a maioria dos muçulmanos, o Irã é um país persa. Os árabes são semitas. Obama assumiu em público que negociaria com qualquer iraniano que vencesse as eleições. Ele pode ter sido mal informado.</p>
<p>A reação do governo dos aiatolás contra as manifestações de rua pela anunciada reeleição do atual presidente, Ahmadinejad, vem sendo de extrema violência. Obama levantou sua voz em protesto. Mas a posse deverá ser no fim de julho ou princípio de agosto. Com ele, os americanos vão retomar o diálogo até agora fracassado. O iraniano reeleito vinha virando herói da massa árabe que admira quem desafia o mundo e, principalmente, Washington.</p>
<p>Acho graça quando comentaristas, principalmente americanos, dizem que o grande discurso de Obama no Cairo enfraqueceu o antiamericanismo. Criou sim, certas expectativas nas chamadas classes dirigentes: lideranças políticas, empresariais, setores da intelectualidade secular. Para a massa nada mudou. Talvez poucos tenham conhecimento da visita do presidente americano. Palavras é o que mais escutam. Admiram os movimentos radicais que lutam pela imposição da lei muçulmana, a Shaaria, que fala e promete igualdade. A maioria vive na miséria.</p>
<p>O presidente iraniano tem vasto prestígio. É provável que as maiorias tenham aceitado a versão de manifestações populares, inspiradas pelos americanos e israelenses. Não é grande o acesso a televisão ou a informações de origem estrangeira. Se os americanos retomarem tentativas diálogo estarão provando que Ahmadinejad tem razão em sua orientação anti-ocidental e ódio à Israel. Vale a força.</p>
<p>Há um consenso no Irã sobre a bomba atômica e o poder. A revolta reflete um conflito interno. A Comunidade Internacional - Estados Unidos e Europa - demorou a protestar contra a violência. Foi surpreendida. Não sabia o que fazer. Existem as mais diversas especulações sobre quando a bomba iraniana fará sua estreia. E se Obama vai conseguir comprar uma mudança de rumo o que não se conseguiu em anos. Mas vai prestigiar o governo iraniano.</p>
<p>O paradoxal é que o perigo mais imediato não está sendo divulgado. A ameaça maior no momento é o arsenal atômico paquistanês. O Taleban, a Al Qaeda e, ainda, versões de que o próprio Osama bin Laden, estão dentro do Paquistão. É notória a ambição dos movimentos terroristas de ganharem acesso às armas de destruição em massa. As químicas, as biológicas, as nucleares.</p>
<p>John Murtha, deputado americano e presidente do poderoso subcomitê da Câmara dos Deputados, cometeu o que pode ser uma indiscrição. Ele levanta como possível a hipótese do governo paquistanês perder o controle do seu arsenal nuclear. E que então “seria absolutamente essencial que intervenhamos militarmente”. E que “é o que sugeriria”.</p>
<p>Estima-se, de acordo com a <a href="http://www.globalsecuritynewswire.org/" target="_blank">Global Security Newswire</a> do dia 24/4 e 12/5, que o Paquistão tenha o bastante para montar 60 bombas. O porta-voz do Pentágono, o Departamento de Defesa, é citado como tendo declarado que os Estados Unidos confiam na capacidade paquistanesa de defender seu arsenal. Murtha com 19 mandatos de deputado em sua carreira, ou 38 anos, é cético quanto a isto. O Paquistão tem 170 milhões de habitantes, é um país muçulmano com fronteira com o Afeganistão.</p>
<p>Além disso, como aliado dos americanos, o Paquistão não aceitaria se quer uma insinuação de falta de confiança de Washington. Mas que existe o arsenal, existe. As forças paquistanesas estão em combate com a Al Qaeda e o Taleban. E não há informações de que estão vencendo.</p>
<p>Por <a href="http://ultimosegundo.ig.com.br/opiniao/nahum/2009/06/24/o+perigo+e+a+bomba+do+paquistao+6936920.html" target="_blank">Nahum Sirotsky</a>, correspondente iG em Israel.</p>
<img src="http://www.mondopost.com.br/?ak_action=api_record_view&id=1081&type=feed" alt="" />]]></content:encoded>
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		<title>Censura do regime obriga imprensa internacional a inovar na cobertura</title>
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		<pubDate>Wed, 24 Jun 2009 23:31:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Marquine</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Oriente Médio]]></category>

		<category><![CDATA[eleições]]></category>

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As cenas das manifestações no Irã serão lembradas como a primeira vez que um conflito passou a ser coberto, majoritariamente, por pessoas comuns, que testemunharam ou participaram dos acontecimentos - e não apenas por jornalistas.
As imagens da morte da jovem Neda Salehi Agha Soltan, que repercutiram pelo mundo todo no YouTube e se espalharam ainda [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img alt="" src="http://www.mondopost.com.br/wp-content/uploads/2009/06/mobile.jpg" class="alignnone" width="540" height="195" /></p>
<p>As cenas das manifestações no Irã serão lembradas como a primeira vez que um conflito passou a ser coberto, majoritariamente, por pessoas comuns, que testemunharam ou participaram dos acontecimentos - e não apenas por jornalistas.</p>
<p>As imagens da morte da jovem Neda Salehi Agha Soltan, que repercutiram pelo mundo todo no YouTube e se espalharam ainda mais com links postados no Twitter e no Facebook, não existiriam se o assassinato tivesse ocorrido há alguns anos, quando celulares com câmeras e sites de relacionamento eram inacessíveis.</p>
<p>A preocupação é tanta com o surgimento de novas tecnologias que o Centro de Imprensa Estrangeira de Nova York convidou correspondentes internacionais para um workshop sobre como usar o Facebook, Twitter e LinkedIn em grandes coberturas, como a atual no Irã.</p>
<p>O New York Times já avançou neste sentido e, em sua reportagem sobre o Irã de ontem, trazia a assinatura de Nazila Fathi, correspondente do jornal em Teerã, e de Michael Slackman, chefe do escritório no Cairo. Como a jornalista no território iraniano enfrenta restrições para trabalhar, grande parte das informações foi conseguida por meio do correspondente no Egito justamente em sites.</p>
<p>O diário nova-iorquino usa ainda o blog The Lede, postado na capa do jornal, que acompanha em tempo real todos os acontecimentos no Irã por meio do Twitter, vídeos do YouTube e Facebook. A CNN pede que iranianos baixem vídeos no site para que sejam exibidos posteriormente no programa iReport. Na chamada, com o nome de Iran?s Voice (&#8221;Voz do Irã&#8221;), o canal pergunta: &#8220;Você esteve lá? Divida a sua história.&#8221; A rede de TV Al-Jazira, do Catar, faz o mesmo.</p>
<p>O regime de Teerã tenta bloquear o acesso aos sites. Mas iranianos conseguem burlar a censura. Hoje, no Facebook, jovens iranianos na diáspora, como Mateen, pediam a amigos que enviassem para eles &#8220;atalhos virtuais&#8221; que ajudassem os iranianos a acessar a internet. Outra saída é buscar sites alternativos, como fazem na Turquia, onde o YouTube é bloqueado, ou os sírios, que não podem acessar o Facebook, apesar de quase todos os jovens de classe média de Damasco terem uma conta.</p>
<p>Em Teerã não é muito diferente de Damasco e as cenas lembram os iranianos em 1979, antes da revolução, que compravam fitas cassetes contrabandeadas com os discursos do aiatolá Khomeini, ainda no exílio, apesar do forte monitoramento da polícia secreta do xá.</p>
<p>MUDANÇA REPENTINA</p>
<p>O avanço é tão rápido que, ainda neste ano, na guerra de Israel contra o Hamas, essas tecnologias não foram muito utilizadas por palestinos na Faixa de Gaza. No conflito, o governo israelense, alegando questões de segurança, não permitiu que jornalistas estrangeiros entrassem no território palestino. Os repórteres tiveram de buscar informações nas redes de TV árabes, como a Al-Jazira, mas não havia tantas imagens distribuídas em tempo real por links no Twitter ou no Facebook. Na Guerra do Golfo (1991), as opções eram ainda menores. Peter Arnett e Bernard Shaw, ambos da CNN, praticamente foram as únicas vozes para todo o Ocidente durante a ofensiva americana contra o regime de Saddam Hussein, que havia ocupado o Kuwait.</p>
<p>A mudança, no entanto, tem provocado debates em programas de TV e nas páginas de jornais dos Estados Unidos e mesmo do Oriente Médio. Tanto a CNN, no programa GPS, apresentado por Fareed Zakaria, como a Al-Jazira debateram os riscos de depender de pessoas que não são jornalistas profissionais para divulgar notícias e imagens.</p>
<p>A CNN montou uma equipe com integrantes que falam persa para verificar se os locais apresentados são mesmo reais. Técnicos verificam se não há adulterações. A Al-Jazira, mesmo antes do advento do Twitter e do YouTube, já fazia o mesmo para checar fitas como as de Osama Bin Laden.</p>
<p>A agência de risco político Stratfor, em análise publicada para seus clientes ontem, alerta para a ameaça de se dar muita importância para as informações postadas no Twitter, afirmando que elas atingem apenas usuários do recurso no país persa, com repercussão limitada ao exterior e entre os fluentes em inglês da elite iraniana. &#8220;As tropas do Exército e as outras classes não estão no Twitter&#8221;, diz a análise, lembrando que mesmo em países do Ocidente o serviço começou a crescer agora. Para a empresa, o melhor seriam repórteres entrevistando as pessoas em persa. </p>
<p>Autor Gustavo Chacra.<br />
Via <a href="http://blog.estadao.com.br/blog/chacra/?title=censura_do_regime_obriga_imprensa_intern&amp;more=1&amp;c=1&amp;tb=1&amp;pb=1">Estadão</a>.<br />
Imagem: <a href="http://www.flickr.com/photos/hapal/3246528223/">fonte</a>.</p>
<img src="http://www.mondopost.com.br/?ak_action=api_record_view&id=1057&type=feed" alt="" />]]></content:encoded>
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		<title>Eleições no Irã. Ou Ceteris Paribus</title>
		<link>http://www.mondopost.com.br/2009/06/16/eleicoes-no-ira-ou-ceteris-paribus/</link>
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		<pubDate>Tue, 16 Jun 2009 21:39:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mário Machado</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Artigos / Opinião]]></category>

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		<category><![CDATA[Política Internacional]]></category>

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		<category><![CDATA[eleições iranianas]]></category>

		<category><![CDATA[Irã]]></category>

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Ceteris Paribus é uma expressão latina que significa: “tudo o mais permanece constante”. Qualquer um que tenha estudado economia (principalmente microeconomia e os princípios de funcionamento do mercado) sabe que a expressão é usada como ferramenta pedagógica para enfatizar correlações diretas. Por exemplo, se houver acréscimo de preço de um bem, quantas unidades a mais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.mondopost.com.br/wp-content/uploads/2009/06/ira1.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-985" title="ira1" src="http://www.mondopost.com.br/wp-content/uploads/2009/06/ira1.jpg" alt="ira1" width="540" height="195" /></a></p>
<p><em>Ceteris Paribus</em> é uma expressão latina que significa: “<em><strong>tudo o mais permanece constante</strong></em>”. Qualquer um que tenha estudado economia (principalmente microeconomia e os princípios de funcionamento do mercado) sabe que a expressão é usada como ferramenta pedagógica para enfatizar correlações diretas. Por exemplo, se houver acréscimo de preço de um bem, quantas unidades a mais ou a menos venderá, considerando que todos os outros fatores permanecem congelados? Isso, obviamente, é um ferramental interessante, mas também nos dá uma idéia que pode ser exportada para a análise das relações internacionais.</p>
<p>Será que a troca ou não troca de presidente será apenas o preenchimento da condição <em>ceteris paribus</em>, ou seja, seria uma alteração que por natureza seria inócua no que tange as políticas levadas pelo Irã, que são motivos de discórdia e isolamento no sistema internacional. Entre elas, as principais: o apoio a organizações caracterizadas como terroristas, a retórica beligerante e intolerante quanto à existência do Estado de Israel e as insinuações nucleares (e não cumprimento da cláusula de inspeção).</p>
<p>A história nos mostra que todas essas políticas ganharam força com a Revolução Islâmica e são até hoje núcleo-duro da retórica mais ampla da política externa iraniana. Devo admitir que há um esforço grande feito pela diplomacia do Irã em projeção de softpower, principalmente a diplomacia cultural se valendo da herança da cultura persa.</p>
<p>A sociedade iraniana é muito, mas muito mais complexa e densa que a grande imprensa deixa transparecer, mas é uma sociedade cujos valores da revolução se mostram fortes e entranhados na maneira de ser das novas gerações. Não só pela força da coerção das leis, mas com os velhos mecanismo de despertar o nacionalismo. E para isso, nada melhor que um inimigo externo, como Israel ou EUA. E isso dá um norte que, independente da visão política, é mais ou menos consensual (sei que é um uso impróprio da palavra consenso, mas não me veio termo melhor) entre os Iranianos.</p>
<p>É curioso que um regime essencialmente ditatorial e teocrático tenha eleições. E eleições relativamente livres, já que os candidatos são pré-selecionados pelo conselho supremo. Mas pensando bem não é nada diferente de outros regimes ditatoriais longos, a via da supressão militar como único fator para forçar coerção é cara financeiramente, e provoca um recrudescimento das tensões e polarizações ao permitir zonas de tolerância política (mesmo que limitada). O regime fornece válvulas de escape e chance para a população exercer preferências em certos pontos da vida política nacional, o que prolonga a existência do regime, já que retira dos ombros dos Aiatolás o peso por coisas do dia a dia, como aumento da inflação e desemprego. E reforça sua imagem de liderança moral, que se ocupa unicamente dos valores de Estado.</p>
<p>Não deixa de ser um construto muito interessante, que sem dúvida merece estudos mais aprofundados, já que no Irã convivem a modernidade das redes sociais via internet, por exemplo, e os valores extremamente tradicionalistas que derivam da essência da revolução. Aparentemente a sociedade tem encontrado uma maneira muito interessante de coexistir entre modernidade e tradição, que parece ser o grande elemento, a grande questão das sociedades islâmicas. E devo reiterar, é admirável que isso se dê em um regime que, a priori, parece bastante fechado.</p>
<p>Os caminhos que serão tomados pelo Irã, com a ascensão da geração que nasceu depois da revolução, é uma incógnita e não tenho elementos para tentar esboçar, mas essa eleição mostra que apesar de não ser o que consideramos um democracia liberal, a vontade de participação política do povo iraniano é elevada e há um debate ativo sobre os destinos do Estado. Uma efervescência que em nada deve as democracias liberais mais institucionalizadas, com o particularismo de ser ultimamente uma teocracia, em que as eleições protegem e aumentam a autoridade moral dos Aiatolás, ou seja, pavimentaram seu caminho no poder ao justamente abrir de mão de exercê-lo com rigor e com os desgastes que disso advêm.</p>
<p>Em termos de política externa pode-se dizer que a vitória do atual presidente o colocará com mais munição e respaldo retórico que animará inúmeras controvérsias. Contudo, a existência de um grupo que, mesmo minoritário, defende uma posição mais voltada à cooperação é um fenômeno que não deve ser desprezado, nem aumentado em relevância.</p>
<p>Sobre a eleição e seu resultado, posso dizer com alguma certeza que a frase que mais bem descreve é <em>ceteris paribus</em>, ou seja, não obstante o resultado, no curto e médio prazo tudo permanece constante. Ou seja, <strong>Irã e Ocidente encastelados em suas posições. Consumindo combustível retórico, como um motor V-12, e inflamando ânimos e desconfianças e enquanto isso as pessoas comuns, o “Joe six pack”, o “Abdul six teas” e “Jacó six pack”, pagam o preço.</strong></p>
<p><em>Imagem: <a href="http://www.flickr.com/photos/rudiroels/3068355852/" target="_blank">Fonte</a>.</em></p>
<img src="http://www.mondopost.com.br/?ak_action=api_record_view&id=983&type=feed" alt="" />]]></content:encoded>
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		<title>Opinião: Irã e o Ocidente precisam retomar o diálogo</title>
		<link>http://www.mondopost.com.br/2009/06/15/opiniao-ira-e-o-ocidente-precisam-retomar-o-dialogo/</link>
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		<pubDate>Tue, 16 Jun 2009 00:30:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Marquine</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Artigos / Opinião]]></category>

		<category><![CDATA[Diplomacia]]></category>

		<category><![CDATA[Oriente Médio]]></category>

		<category><![CDATA[EUA]]></category>

		<category><![CDATA[Iran]]></category>

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Até Ahmadinejad reconhece a necessidade de dialogar com a comunidade internacional. Mas não sobre o programa nuclear ou os direitos humanos. Situação no Irã custará um tanto a se estabilizar, opina Peter Philipp.
Um comentarista israelense avaliou o resultado do pleito presidencial iraniano com a observação que a reeleição de Mahmud Ahmadinejad não era assim tão [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone" src="http://www.mondopost.com.br/wp-content/uploads/2009/06/iranandusa.jpg" alt="" width="540" height="195" /></p>
<p>Até Ahmadinejad reconhece a necessidade de dialogar com a comunidade internacional. Mas não sobre o programa nuclear ou os direitos humanos. Situação no Irã custará um tanto a se estabilizar, opina Peter Philipp.</p>
<p>Um comentarista israelense avaliou o resultado do pleito presidencial iraniano com a observação que a reeleição de Mahmud Ahmadinejad não era assim tão ruim para a política de Israel. E – caso ainda estivesse no cargo – George W. Bush certamente teria esfregado as mãos de satisfação. O estereótipo do Irã como inimigo pode ser mantido.</p>
<p>O sucessor de Bush, Barack Obama, deve pensar de outro modo. E sua decisão de manter a reserva antes das eleições, não expressando quaisquer preferências, foi acertada. Afinal, já era mesmo para se contar com a reeleição (embora não sob as atuais circunstâncias), e louvor da Casa Branca teria destruído qualquer candidato de oposição antes mesmo da abertura das urnas.</p>
<p>Além disso, a questão do estereótipo de inimigo vale para ambos os lados. Rivalidades eleitorais à parte, Ahmadinejad demonizou seus adversários como capangas dos inimigos estrangeiros. Isso combina com a autoimagem que promove, de guardião da revolução e &#8220;vingador dos desfavorecidos&#8221;.</p>
<p>Apesar de tais insultos, o presidente reeleito também deseja o diálogo externo, sobretudo com os Estados Unidos. Certamente não sobre o programa nuclear, os direitos humanos, o papel da mulher ou o conflito no Oriente Médio – os &#8220;temas de sempre&#8221; do Ocidente em relação ao Irã. Ahmadinejad quer explicar a Obama como poderia ser um mundo melhor; um mundo onde não sejam uns poucos a ditar as regras, mas sim os povos do mundo inteiro. Para Ahmadinejad vem a calhar poder utilizar a própria vitória eleitoral como argumento. Porém Obama dificilmente se deixará impressionar.</p>
<p>Apesar disso: o presidente dos EUA e seus principais aliados ocidentais sabem há um bom tempo não serem praticáveis as presentes exigências de que os iranianos suspendam o enriquecimento de urânio. E que os demais candidatos à presidência iriam ignorá-las, do mesmo modo. Oficiosamente, já se começou a considerar o Irã uma potência nuclear. Até mesmo em Israel uma enquete recente revelou que uma maioria já aceita o fato. Porém isso não tira a importância do diálogo.</p>
<p>O material para conflito acumulado nos últimos 30 anos é tamanho que não se pode nem deve esperar mais outros quatro anos para eliminá-lo – e então com resultado incerto. A base para o diálogo existe, sem dúvida: o Irã não quer ser comandado, e Obama justamente se recusa a desempenhar esse papel.</p>
<p>Não há dúvida que também Washington preferiria, no fundo, um interlocutor mais agradável. Mas como ninguém escolhe seus inimigos, agora cabe tentar trabalhar com eles para eliminar as diferenças. Os iranianos – e não apenas os desiludidos– ficarão, com certeza, gratos por um movimento em direção ao diálogo. Seu interesse não pode ser a violência e a agitação: elas só trazem sofrimento e nova repressão.</p>
<p>Assim, não são poucos os que devem aguardam temerosos o que Ahmadinejad planejou para o campo da política interna. Embora pudesse perfeitamente tê-lo feito nos quatro anos de seu primeiro mandato, ele quer agora combater a corrupção com todos os meios, sem poupar os escalões mais elevados – por exemplo, o ex-presidente Ali Akbar Hashemi Rafsanjani.</p>
<p>Este perdeu para Ahmadinejad por uma pequena margem em 2005, porém continua sendo um homem extremamente importante e poderoso. Enfrentá-lo sem dúvida elevará muito a popularidade do presidente reeleito, mas também aumentará o perigo de uma confrontação aberta que ninguém quer nem precisa. A paz não reinará tão rapidamente assim no Irã.</p>
<p>Autor: Peter Philipp<br />
Revisão: Alexandre Schossler</p>
<p>Via <a href="http://www.dw-world.de/dw/article/0,,4328937,00.html">DW-World</a>.<br />
Imagem: <a href="http://www.flickr.com/photos/cityvhswm/168487170/">Fonte</a>.</p>
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		<title>Nasrallah reconhece derrota no Líbano, mas ele ainda manda na Hezbollândia</title>
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		<pubDate>Sun, 14 Jun 2009 14:00:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Marquine</dc:creator>
		
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<p>Eleições são marcadas pelo discurso da vitória. Quem se esquece de Barack Obama, em Chicago, falando para dezenas de milhares de pessoas depois de se tornar o primeiro negro eleito para a Casa Branca? Certamente, poucos se recordam hoje de John McCain ao lado de Sarah Palin naquela mesma noite. Os perdedores são esquecidos, pelo menos no dia da vitória.</p>
<p>Menos quando o perdedor for o xeque Hassan Nasrallah. O líder do Hezbollah parou o Líbano. Todos libaneses, dos que o amam aos que o odeiam, de Tyro a Trípoli, passando por Beirute, os montes e o vale do Beqaa, foram para a frente das TVs hoje para ver o que a figura mais carismática do país dos cedros tinha a dizer.</p>
<p>Afinal, todos sabem que o Hezbollah, mesmo derrotado, é mais poderoso do que o Líbano. Nasrallah perdeu, discursou e aceitou a derrota. Algo normal. Não afetará muito a sua vida. Continuará dando as ordens na Hezbollândia, composta pela região de Dahieh, em Beirute, o sul libanês e áreas do Beqa. Um território onde até os guardas de trânsito são desta organização, que conta ainda com escolas, creches, hospitais e uma rede de TV. Mais importante, o Hezbollah tem uma milícia armada que pode, quando quiser, iniciar uma guerra contra Israel. Ou, se preferirem e acharem que está na hora, dominar todo o Líbano em algumas horas e assumir o poder.</p>
<p>Mas os xiitas do Hezbollah pensam no longo prazo. Investem em educação, disciplina e armamentos. Não tem pressa. Enquanto isso, ganham tempo com eleições democráticas que, mesmo em uma derrota, dão maior legitimidade para esta organização que forçou Israel a se retirar do território em 2000 e conseguiu, mais do que qualquer outro Exército árabe, impor medo aos israelenses.</p>
<p>Conforme relata Amal Saad Ghorayeb, acadêmica e autora de um livro &#8220;Hizbollah, Politic and Religion&#8221;, sobre a organização, o Hezbollah pretende estabelecer um Estado islâmico no Líbano semelhante ao Irã. Mas, ao mesmo tempo, o grupo xiita entende que a sociedade libanesa é sectária. Na visão deles, apesar de o Estado islâmico ser melhor, a democracia não é ruim. Por este motivo, desde 1992, o Hezbollah concordou em concorrer nas eleições libanesas. A data é importante, pois foi depois dos acordos de Taif, que encerraram a guerra civl. Antes, o grupo se recusava porque os cristãos maronitas possuíam muito poder.</p>
<p>Segundo Ghorayeb, o Hezbollah considera o Estado islâmico melhor do que a democracia por três motivos. &#8220;Primeiro, a opressão implícita no príncipio do governo da maioria; em segundo lugar, a tendência dos sistemas democráticos serem dominados pela vontade da maioria; por último, ineficácia e a injustiça de um sistema que diz representar a atual geração de eleitores, mas esquece os interesses das futuras gerações.&#8221; Como o grupo possui uma visão pessimista do homem, o melhor é deixar para Deus legislar pela Sharia, diz Ghorayeb.</p>
<p>O objetivo inicial do grupo é resistir a Israel. São anti-sionistas convictos e, na visão maniqueísta de mundo da organização, Israel, os Estados Unidos e a ditaduras árabes são os opressores. Os xiitas e os palestinos são oprimidos. O Hezbollah não aceita e não aceitará a existência de Israel. Acreditam que, no longo prazo, conseguirão destruir o Estado judeu. Ele se espelha justamente no sionismo para provar que um ideal impossível pode acontecer com disciplina, educação e armas. Israel é o exemplo a ser seguido pelo Hebollah. Copiar o inimigo para derrotá-lo. Usar o dinheiro da diáspora com os diamantes dos xiitas libaneses da África. Como Nasrallah deixa claro, não interessa esta geração, mas as futuras. No Líbano, o Hezbollah pretende primeiro desconfessionalizar o país. Apenas quando dois terços da população apoiarem a idéia de um Estado islâmicos, este será estabelecido. Se isso não acontecer, segue o sectarismo.</p>
<p>Neste contexto, há duas saídas para lidar com o Hezbollah no Líbano. A primeira, defendida por Michel Aoun e facções cristãs, é reconhecer o poder desta organização e da importância dos xiitas, integrado-os à política libanesa e ao Exército, uma vez que eles representam grande parcela popluação. Os eleitores libaneses votaram contra, optando por uma segunda via, que aceita o Hezbollah como partido político, mas tendo que respeitar as ordens do fraco governo libanês com o seu impotente Exército. Difícil funcionar.</p>
<p>Já em relação a Israel, haveria duas alternativas. A primeira via seria uma ampla operação militar para tentar derrotar a organização. Foi tentada por Israel até 2000 e há três anos. Duplo fracasso. A segunda seria a criação de um Estado palestino. Mas este não atingiria o objetivo do Hezbollah que é eliminar Israel. Para Nasrallah, não interessa a atual geração. Ele pensa nas futuras. Na visão dele, um dia seu objetivo será alcançado. O Líbano será um Estado islâmico como o Irã e Israel não existirá.</p>
<p>Autor: <a href="http://blog.estadao.com.br/blog/chacra/?title=nasrallah_reconhece_derrota_no_libano_ma&amp;more=1&amp;c=1&amp;tb=1&amp;pb=1">Gustavo Chacra</a>.<br />
Imagem: <a href="http://www.flickr.com/photos/kaisoos/195691333/">fonte</a>.</p>
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