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	<title>MondoPost &#187; Ásia-Pacífico</title>
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	<description>Relações Internacionais de verdade!</description>
	<pubDate>Sat, 10 Oct 2009 20:52:23 +0000</pubDate>
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		<title>Nunca houve tantos escravos como na atualidade, diz pesquisador</title>
		<link>http://www.mondopost.com.br/2009/08/22/nunca-houve-tantos-escravos-como-na-atualidade-diz-pesquisador/</link>
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		<pubDate>Sat, 22 Aug 2009 17:21:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Enrique Villalobos</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[América Central]]></category>

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		<category><![CDATA[Artigos / Opinião]]></category>

		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>

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		<category><![CDATA[escravidão]]></category>

		<category><![CDATA[slavery]]></category>

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		<description><![CDATA[
Na noite de 22 para 23 de agosto de 1791, a ilha de Santo Domingo (hoje Haiti e República Dominicana) assistiu ao começo de uma insurreição que teria um papel decisivo na abolição do tráfico transatlântico de escravos. Hoje, o 23 de agosto é comemorado pela Unesco como o Dia Internacional de Lembrança do Tráfico [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-1373" title="slavery" src="http://www.mondopost.com.br/wp-content/uploads/2009/08/slavery.jpg" alt="slavery" width="540" height="195" /></p>
<p>Na noite de 22 para 23 de agosto de 1791, a ilha de Santo Domingo (hoje Haiti e República Dominicana) assistiu ao começo de uma insurreição que teria um papel decisivo na abolição do tráfico transatlântico de escravos. Hoje, o 23 de agosto é comemorado pela Unesco como o Dia Internacional de Lembrança do Tráfico de Escravos e sua Abolição.</p>
<p>Sobre este assunto, a Deutsche Welle entrevistou o jornalista norte-americano Benjamin Skinner, autor do livro <strong>A Crime So Monstrous: Face-To-Face with Modern-Day Slavery</strong> (Um crime tão monstruoso: face a face com a escravidão hoje). O professor do <em>Carr Center for Human Rights Policy da Harvard Kennedy School</em> adverte que escravos hoje são muito mais baratos do que em qualquer outro momento da história da humanidade.</p>
<p>Deutsche Welle: <em>A escravidão é um fato do passado?</em></p>
<p>Benjamin Skinner: Com certeza, não. Embora existam mais de 300 tratados internacionais e mais de uma dúzia de convenções universais exigindo o fim da escravidão e do comércio de escravos, este ainda é um problema que desafia o mundo moderno. Pessoas e nações presumem que a lei seja suficiente para erradicar o comércio, mas não é. A abolição legal é um primeiro passo necessário, mas a abolição real requer a aplicação rigorosa dessa lei para perseguir os traficantes e proteger e reabilitar as vítimas.</p>
<p><em>Quantos escravos existem hoje no mundo?</em></p>
<p>Como a escravidão é ilegal em qualquer parte do mundo, os traficantes escondem suas vítimas, temendo as autoridades. Em qualquer país, escravos são uma população oculta. Mas as estimativas mais amplamente aceitas apontam que haja entre 12,3 milhões e 27 milhões de escravos.</p>
<p><em>E em números relativos, em comparação com o passado?</em></p>
<p>Há mais escravos hoje do que em qualquer outro momento da história da humanidade. Mas, por mais deprimentes que sejam os números absolutos, podemos encontrar certo consolo no fato de a porcentagem de escravos na população mundial ser hoje menor. Os três grandes movimentos abolicionistas do passado de fato trouxeram progressos. Mas ainda há muito a ser feito neste quarto e último.</p>
<p><em>O que caracteriza a condição de escravo?</em></p>
<p>Escravos são pessoas forçadas a prestar um serviço, mantidas ilegalmente e ameaçadas com violência, sem pagamento e em esquema de subsistência. São pessoas que não podem fugir de seu trabalho.</p>
<p><em>Que tipo de trabalho eles fazem hoje em dia?</em></p>
<p>São usados em todos os ramos da indústria, da agricultura e do setor de serviços. A maioria é forçada a trabalhar para quitar uma dívida, em muitos casos herdada de um ancestral. Todo ano, centenas de milhares são forçados a cruzar fronteiras internacionais para executar trabalhos domésticos ou manuais, também como pedintes, ou se tornam vítimas de prostituição forçada. Crianças são obrigadas a lutar em guerras civis brutais; homens e mulheres, espoliados e obrigados a produzir componentes de produtos de consumo que você talvez tenha em casa. A escravidão está em todo e em nenhum lugar.</p>
<p><em>Que motivos levam hoje à escravidão?</em></p>
<p>As circunstâncias de cada escravo são diferentes, claro, mas há temas recorrentes. Em primeiro lugar, escravos tendem a vir de comunidades profundamente empobrecidas e socialmente isoladas. Tendem a ser jovens, do sexo feminino, com acesso restrito a educação e saúde, e sem qualquer acesso ao crédito formal. Também costumam viver em áreas onde o domínio da lei é fraco e criminosos podem tirar vantagem de sua vulnerabilidade  e isolamento para lucrar.</p>
<p><em>Que países e regiões possuem o maior número de escravos?</em></p>
<p>O sul da Ásia em geral – e a Índia, em particular – possui mais escravos do que todo o resto do mundo junto. A abolição do trabalho escravo na Índia, assim como a do sistema de castas, continua sendo uma promessa não cumprida. Nos níveis estaduais e distritais, bem como nos panchayats [sistema político indiano que agrupa quatro vilas em volta de uma vila central], a boa intenção das leis nada significa para os milhões de pessoas forçadas a trabalhar para pagar uma dívida que, em muitos casos, foi feita gerações antes.</p>
<p><em>E na América Latina?</em></p>
<p>Há centenas de milhares, talvez milhões de escravos na América Latina. O Haiti tem umas 300 mil crianças escravas. Ofereceram-me uma por 50 dólares numa rua de Porto Príncipe, a cinco horas de distância da minha casa em Nova York. Dezenas de milhares são traficadas da América Central e do México para localidades mais ao norte. Nos Estados Unidos, a maior parte dos escravos é mexicana ou foi traficada através do México.</p>
<p>Ironicamente, o Brasil, um dos últimos países a abolir formalmente a escravidão, é hoje um dos mais proativos no combate ao tráfico. Equipes móveis de inspeção do Ministério brasileiro do Trabalho resgatam cerca de 5 mil escravos por ano. Mas infelizmente eles não recebem aconselhamento ou proteção adequados, e dá para contar nos dedos de uma mão quantos criminosos foram condenados. Ou seja, quase a metade dos escravos resgatados volta ao regime escravo. Ainda há muito a ser feito na região.</p>
<p><em>Qual o papel do Estado em países onde existe escravidão?</em></p>
<p>A escravidão existe onde os Estados são fracos ou corruptos, mas ela também pode ser usada por regimes autoritários como forma de controlar a população. Por exemplo, no Sudão, onde o governo do norte armou e encorajou as milícias a escravizar durante uma guerra civil de 22 anos. Ou em Mianmar, onde o governo impõe o regime de corvéia à população rural.</p>
<p><em>É sabido que, em certos países, é possível libertar um escravo pagando por ele. Algumas organizações fazem isso. Você considera este um caminho válido?</em></p>
<p>Certamente não. Por mais que comprar a liberdade de um escravo faça o comprador se sentir bem, essa prática, na melhor das hipóteses, dá margem à corrupção. Na pior delas, incentiva o comércio com a miséria humana.<br />
<em><br />
Quanto custa um escravo hoje?</em></p>
<p>Escravos hoje são mais baratos do que nunca. Presenciei negociações de venda em quatro continentes e recebi ofertas de 45 dólares na África do Sul até cerca de 2 mil dólares (na verdade, tratava-se da troca por um carro usado) na Romênia. Com mais de 1,1 bilhão de pessoas subsistindo com menos de um dólar por dia, a oferta de potenciais escravos é praticamente ilimitada.</p>
<p><em>Quais são as consequências tardias da escravidão nas sociedades em que ela existiu, como nos EUA e na América Latina?</em></p>
<p>Países que falham em lembrar que a escravidão é um compromisso vivo estão condenados a viver em insegurança e desigualdade, e em meio a atividades criminosas. Mas aqueles que se encarregarem da difícil tarefa de eliminar a escravidão serão recompensados com sociedades mais prósperas e pacíficas. O que me lembra as palavras de Maya Angelou: &#8220;<strong><em>A história, por mais dolorosa, não pode ser &#8216;desvivida&#8217;. Mas, se enfrentada com coragem, não precisa ser revivida</em></strong>&#8220;.</p>
<p>Autor: Pablo Kummetz</p>
<p>Revisão: <a href="http://www.dw-world.de/dw/article/0,,4589344,00.html?maca=bra-rss-br-all-1030-rdf" target="_blank">Roselaine Wandscheer</a></p>
<p><em>Imagem: <a href="http://www.flickr.com/photos/quettabalochistan/2986608888/" target="_blank">Fonte</a>.</em></p>
<img src="http://www.mondopost.com.br/?ak_action=api_record_view&id=1372&type=feed" alt="" />]]></content:encoded>
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		<title>A voz silenciada</title>
		<link>http://www.mondopost.com.br/2009/07/23/a-voz-silenciada/</link>
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		<pubDate>Thu, 23 Jul 2009 17:49:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mário Machado</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Artigos / Opinião]]></category>

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		<category><![CDATA[Oriente Médio]]></category>

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Há ocorrências na vida real que fazem a ficção parecer pouco imaginativa. O assassinato da bela jovem iraniana Neda, foi divulgado viralmente por toda internet, a mistura de horror e curiosidade mórbida ajudou a divulgar o chocante vídeo. Para a maioria das pessoas é muito raro assistir o exato momento em que a vida cessa, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-1271" title="neda-kreuz" src="http://www.mondopost.com.br/wp-content/uploads/2009/07/neda-kreuz.jpg" alt="neda-kreuz" width="540" height="195" /></p>
<p>Há ocorrências na vida real que fazem a ficção parecer pouco imaginativa. O assassinato da bela jovem iraniana Neda, foi divulgado viralmente por toda internet, a mistura de horror e curiosidade mórbida ajudou a divulgar o chocante <a href="http://www.youtube.com/watch?v=bbdEf0QRsLM" target="_blank">vídeo</a>. Para a maioria das pessoas é muito raro assistir o exato momento em que a vida cessa, ainda mais daquela forma tão efêmera, tão à toa, e com todos aqueles celulares morbidamente filmando (cá entre nós, eu não conseguiria continuar filmando).</p>
<p>Além de sua juventude e beleza, o que chama a atenção é que a tradução do significado do nome Neda é “voz”, o que ajuda a construir o mito, o símbolo, que está para esse início de século, como aquele <a href="http://www.mondopost.com.br/2009/06/05/protesto-na-praca-da-paz-celestial-20-anos-depois-galeria-de-imagens/" target="_blank">homem</a> franzino de camisa branca, gravata e pasta que parou uma coluna de tanques na Praça da Paz Celestial, esteve para o final do século passado.</p>
<p>Escrevi aqui que há algo de desumano nesse processo de transformação em ícone, há algo de muito desagradável para mim, transformar a morte dessa jovem no símbolo de uma causa, uma causa indefinida, que muitos querem que seja a causa da liberdade e democracia no Irã, ou a causa da revolução de um outro mundo possível. Ou qualquer outra coisa assim, e vão a transformando em mito, em símbolo, e lhe retiram a humanidade, lhe dão uma voz de heroína, mas nada muda o fato de que sua voz foi extirpada da terra injustamente.</p>
<p>Injustamente como milhões, ouso dizer bilhões de outros jovens que derramaram, derramam e derramarão seu sangue, por convicção de suas causas, por obrigação, pra se defender ou para atacar os outros. São chamados de mártires. São heróis, vítimas, algozes, vilões ou soldados desconhecidos. Rótulos, que servem a causas, mas não servem para descrever a barbárie em que vivemos. Porque, sem sombra de dúvida, a voz que faz falta para a família não é a voz da revolução, mas a de Neda, seus maneirismos, suas esperanças, tudo que ela poderia ou não ter sido.</p>
<p>Tenho uma convicção de que quando não levamos em conta o fator humano, as pessoas e o impacto das ações na vida das pessoas, perdemos parte de nossa humanidade, não obsta quão nobre acreditemos que são nossos passos, daí mesmo a sabedoria popular dizer que de boas intenções o inferno está cheio.</p>
<p>Analisar as relações internacionais é, sem dúvida, analisar coletividades, sociedades, traços gerais e ações de atores relevantes. As teorias os transformam em entes racionais, em entidades sistêmicas, como partículas numa molécula. Isso nos ajuda a entender, mas não podemos perder de vista as pessoas. Isso quer dizer que eu acredito que devemos fazer ciência social para mudar a realidade? Não. Quer dizer que temos responsabilidades com a humanidade, com a nossa própria humanidade. Isso não pode ser jamais esquecido, teorias e ideologias não podem nos cegar ao ponto de achar que a vida não é o máximo valor a ser preservado.</p>
<p>As idéias podem até mesmo viver mais que as pessoas, mas é uma questão do que vem primeiro, o ovo ou a galinha, nesse caso é bem mais fácil, mesmo sendo imateriais e imortais as idéias são gestadas pelas pessoas, uma prova a mais do valor da vida humana e da tragédia, que é a perda. Não tenho ilusões, milhares de vidas são perdidas a todo o momento, sem motivos e com motivos. Tudo isso é uma realidade que acredito ser imutável, algo que está na natureza humana, nós somos criativos em novos meios e justificativas para nos matar, mas não custa nada ter a esperança de que possamos, ao menos, minimizar a quantidade de sangue perdido, ainda mais sobre ilusões utópicas ou atos gratuitos de violência.</p>
<p>De todo modo a morte daquela jovem ficará na minha mente, não como símbolo de uma geração que clama por liberdade, ou símbolo da ignorância e intolerância daqueles que se encastelam no poder, mas sim como marca de como viver é um verbo transitório, ainda que a gramática não corrobore isso.</p>
<p>Politicamente todos esses episódios revelaram uma oposição existente no Irã, mas até agora o grosso dessa oposição é interna ao regime, pretende mantê-lo com alguma variação e no final tudo se mantêm como estava. O regime parece começar a decair, mas não há como antever o ritmo dessa queda, nem que tipo de reformação política haverá, ainda mais porque a sociedade iraniana é antiga, sofisticada e não a invenção de regimes colonialistas. Como analista, também nos cabe evitar ver o mundo como uma batalha entre bem e o mal, por que é no cinza dessa luta de sombras e luz que quase todos nós vivemos.</p>
<p><em>Imagem: Neda Kreuz.</em></p>
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		<title>Volta do soldado. Ou vingança</title>
		<link>http://www.mondopost.com.br/2009/07/18/volta-do-soldado-ou-vinganca/</link>
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		<pubDate>Sat, 18 Jul 2009 18:56:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Enrique Villalobos</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Artigos / Opinião]]></category>

		<category><![CDATA[Conflitos Armados]]></category>

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O noticiário é sobre os grandes fatos e promessas. Obama diz que vai ajudar a África a sair da sua miséria. O grande não emociona.
Quando se pergunta a soldado israelense o que ele mais teme, a resposta é surpreendente. Diz cair prisioneiro de forças ilegais.
É da tradição das forças armadas tudo fazer para trazer de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-1256" title="gilad-shalit" src="http://www.mondopost.com.br/wp-content/uploads/2009/07/gilad-shalit.jpg" alt="gilad-shalit" width="540" height="195" /></p>
<p>O noticiário é sobre os grandes fatos e promessas. Obama diz que vai ajudar a África a sair da sua miséria. O grande não emociona.</p>
<p>Quando se pergunta a soldado israelense o que ele mais teme, a resposta é surpreendente. Diz cair prisioneiro de forças ilegais.</p>
<p>É da tradição das forças armadas tudo fazer para trazer de volta a tropa com seus mortos e feridos. Empenhar tudo para a libertação de prisioneiros. Existem convenções sobre o tratamento ao preso. A Cruz Vermelha tem acesso e traz noticias. Nas guerras nada lembra o homem civilizado. Mas sempre sobra um mínimo de humanidade. Mas os grupos terroristas não têm limites.</p>
<p>A guerra do Iraque é modelo das guerras atuais entre tropas representando estados e os grupos ilegais, a chamada guerra assimétrica. Os terroristas refinaram a crueldade. Degolam prisioneiros e videografam para mostrar ao mundo. Ataques por homens-bomba matam indiferentemente crianças, mulheres, velhos. O objetivo do terrorismo é aterrorizar. Vale tudo. A imaginação do homem não tem limites quando tem como justificar o pior. Jihad é guerra supostamente abençoada por Deus. Não cria problema de consciência.</p>
<p>A guerra do Líbano de 2006 foi precitada pelos indícios de que o Hizbolá, o partido de Deus, tinha atravessado a linha da fronteira, destruído um carro de combate e capturado dois soldados.</p>
<p>A fronteira é linha imaginaria. Pequena tropa israelense foi lançada em perseguição dos raptores. Não foram alcançados. E acabou escalando para guerra. E longo processo de negociação com intermediação internacional para se chegar a um preço pela liberdade dos detidos. Centenas de presos em Israel em troca dois soldados. Até o ultimo instante as famílias acreditavam que estavam vivos. Vieram dois corpos.</p>
<p>No momento há o caso do soldado Gilad. Foi raptado numa armadilha a um carro de combate há três anos nas proximidades de Gaza. Havia um companheiro que foi morto na hora. Há três anos que o governo de Israel com a ajuda de intermediários, inclusive Mubarak, presidente do Egito, tenta negociar o preço da libertação. Enquanto isto, nem a família, nem diplomatas estrangeiros, nem mesmo o expresidente Carter dos Estados Unidos (que esteve em Gaza há poucos dias), ninguém consegue acesso. Vê-lo para saber se está vivo.</p>
<p>Em meados da semana passada o presidente Mubarak disse que o jovem estava bem, em plena saúde, e logo terminariam os entendimentos. O Hamas, Movimento de Resistência Islâmica, o grupo palestino que domina Gaza, desmentiu Mubarak. “Apenas um pequeno circulo dentro do setor militar do Hamas é mantido informado sobre a condição do soldado. A liderança do Hamas não é  mantida informada”.</p>
<p>E al Muzeini, responsável por Shalid em nome do Hamas, ainda acrescentou: ”Não sabemos se está ferido, doente ou morto. É a verdade”. Três anos. O pai do soldado, incansável no esforço de libertá-lo, já rodou o mundo. A família vive na angustia da incerteza e esperança. O País inteiro como que assumiu a paternidade do prisioneiro.</p>
<p>O drama de um só individuo é mais tocante do que de grandes números. Um tem cara, centenas são abstração. Se algo de definitivo aconteceu ao soldado será incontrolável o sentimento de vingança&#8230;</p>
<p>Por <a href="http://ultimosegundo.ig.com.br/opiniao/nahum/2009/07/11/volta+do+soldado+ou+vinganca+7245918.html" target="_blank">Nahum Sirotsky</a>, correspondente iG em Israel.</p>
<p><em>Imagem: <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Gilad_Shalit" target="_blank">Gilad Shalit</a>.</em></p>
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		<title>Confronto na China expõe fraquezas da política de nacionalidades chinesa</title>
		<link>http://www.mondopost.com.br/2009/07/06/confronto-na-china-expoe-fraquezas-da-politica-de-nacionalidades-chinesa/</link>
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		<pubDate>Tue, 07 Jul 2009 00:36:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Marquine</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Ásia-Pacífico]]></category>

		<category><![CDATA[China]]></category>

		<category><![CDATA[Protestos]]></category>

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Situação de minorias chinesas é tensa e propensa a mais agitações, diz sinólogo alemão. Congresso Mundial Uigur, com sede na Alemanha, nega acusações de envolvimento em protestos sangrentos na China.
A região autônoma de Xianjiang, no oeste da China, faz fronteira com diversos países da Ásia Central, como Paquistão, Afeganistão, Tadjiquistão e Rússia. Entre seus 19 [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img alt="" src="http://www.mondopost.com.br/wp-content/uploads/2009/07/china.jpg" class="alignnone" width="540" height="195" /></p>
<p>Situação de minorias chinesas é tensa e propensa a mais agitações, diz sinólogo alemão. Congresso Mundial Uigur, com sede na Alemanha, nega acusações de envolvimento em protestos sangrentos na China.</p>
<p>A região autônoma de Xianjiang, no oeste da China, faz fronteira com diversos países da Ásia Central, como Paquistão, Afeganistão, Tadjiquistão e Rússia. Entre seus 19 milhões de habitantes, há cerca de 8,3 milhões de uigures, uma etnia turcomena de religião muçulmana.</p>
<p>Devido à sua localização estratégica, o governo em Pequim mantém ali a linha dura sob o pretexto do combate ao terrorismo, organizando migrações em massa da população han, maior grupo étnico da China. Segundo estatísticas oficiais, o número de chineses de etnia han em Xianjiang aumentou mais de 25 vezes nos últimos 50 anos. Além disso, o Exército de Libertação Popular da China possui ali uma forte presença.</p>
<p>A população local se considera prejudicada social, cultural e economicamente. Quaisquer críticas de sua parte são logo interpretadas como reivindicações separatistas e situadas no contexto internacional.</p>
<p>Influência externa</p>
<p>Segundo o governante da região, Nur Bekri, as arruaças, pancadarias, saques e incêndios criminosos do último domingo (05/07) foram ações organizadas do exterior, de cuja organização teriam participado o Congresso Mundial Uigur, organização de exilados com sede em Munique, na Alemanha, e sua presidente, Rebiya Kadeer.</p>
<p>&#8220;As forças separatistas no exterior nos atacam de forma ininterrupta e incentivam as pessoas a ir às ruas protestar&#8221;, acusa Nekri. &#8220;No dia 5 de julho, Rebiya Kadeer ligou para a China a fim de provocar agitações. Os serviços de informação do Congresso Mundial Uigur divulgam rumores na internet e envenenam o clima&#8221;, assinalou Bekri.</p>
<p>Uma manifestação em massa no centro de Urumqi, no domingo, acabou em derramamento de sangue. Mais de 140 pessoas morreram e houve tiroteios. Dilxadi Rexiti, porta-voz do Congresso Mundial Uigur, nega qualquer envolvimento e acusa o aparato propagandístico chinês de disseminar o ódio.</p>
<p>&#8220;As declarações oficiais são desprovidas de qualquer prova. O governo chinês pretende apenas justificar suas manobras militares contra os uigures, que protestaram pacificamente&#8221;, disse Rexiti.</p>
<p>Os protestos ocorreram depois que dois migrantes uigures foram mortos a pancadas na província de Guangdong, no sul da China, supostamente por abuso sexual de duas meninas da etnia han. Parte da população uigur acredita que as investigações não estão acontecendo de forma correta.</p>
<p>Situação é tensa</p>
<p>Segundo Thomas Heberer, professor de Sinologia na Universidade de Duisburg-Essen, a situação é tensa nos territórios de minorias na China e não se pode culpar apenas o exterior. &#8220;Não é possível explicar tudo através de intervenções externas. Se não houvessem insatisfações internas, intervenções ou organizações externas tampouco teriam efeito. Ou seja, a situação no país provoca agitações e protestos&#8221;, explica.</p>
<p>Segundo Heberer, isso expõe os déficits da política chinesa de nacionalidades e é de se esperar mais agitações em áreas de grande concentração de minorias étnicas. &#8220;A forma atual de autonomia, na minha opinião, não é suficiente, pois o amparo legal é muito fraco. Nas últimas décadas, muito se falou em promover o desenvolvimento econômico nas regiões de minorias para que elas fiquem satisfeitas, mas esta é uma opinião unilateral. Está claro que a modernização não basta. É preciso dar a sensação de que elas têm os mesmos direitos e de que sua cultura está sendo protegida.&#8221;</p>
<p>O conflito levanta ainda a questão da unidade territorial, uma vez que a província de Xinjiang inclui a região historicamente pertencente ao Turquestão Oriental. Muitas organizações de exilados defendem a independência de Xinjiang, algumas sem descartar o uso de violência.</p>
<p>Há ainda a questão dos 16 uigures prisioneiros em Guantánamo, que não podem retornar à China devido ao risco de tortura. Muitos uigures se sentem vítimas de discriminação generalizada. O Congresso Mundial Uigur exige que o governo chinês se desculpe oficialmente.</p>
<p>Segundo Heberer, Pequim reconheceu a necessidade de mudanças em sua política de nacionalidades. Um grupo de peritos chineses já teria entregue ao governo central um primeiro relatório parcial sobre o assunto. Os pesquisadores admitiram falhas e apelaram por mudanças.</p>
<p>Autor: <a href="http://www.dw-world.de/dw/article/0,,4460550,00.html">Hao Gui</a><br />
Revisão: Roselaine Wandscheer</p>
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		<title>O perigo é a bomba do Paquistão</title>
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		<pubDate>Sat, 27 Jun 2009 22:48:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Enrique Villalobos</dc:creator>
		
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Não é exagero dizer que a chamada Comunidade Internacional mais uma vez fracassou em impôr o respeito à lei internacional. A Coreia do Norte amedronta com suas ameaças por ter a bomba atômica. O engajamento diplomático não dá resultados. O Irã ignora todas as iniciativas visando convencê-lo a desistir de sua aparente determinação de se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.mondopost.com.br/wp-content/uploads/2009/06/sign.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-1083" title="sign" src="http://www.mondopost.com.br/wp-content/uploads/2009/06/sign.jpg" alt="sign" width="540" height="195" /></a></p>
<p><strong>Não é exagero dizer que a chamada Comunidade Internacional mais uma vez fracassou em impôr o respeito à lei internacional. A Coreia do Norte amedronta com suas ameaças por ter a bomba atômica. O engajamento diplomático não dá resultados. O Irã ignora todas as iniciativas visando convencê-lo a desistir de sua aparente determinação de se transformar em potência nuclear e ser o maior poder na região. Segundo foi noticiado, Mubarak, presidente do Egito, disse que Teerã quer engolir o mundo árabe.</strong></p>
<p>Além de xiita, seita oposta à sunita que é a maioria dos muçulmanos, o Irã é um país persa. Os árabes são semitas. Obama assumiu em público que negociaria com qualquer iraniano que vencesse as eleições. Ele pode ter sido mal informado.</p>
<p>A reação do governo dos aiatolás contra as manifestações de rua pela anunciada reeleição do atual presidente, Ahmadinejad, vem sendo de extrema violência. Obama levantou sua voz em protesto. Mas a posse deverá ser no fim de julho ou princípio de agosto. Com ele, os americanos vão retomar o diálogo até agora fracassado. O iraniano reeleito vinha virando herói da massa árabe que admira quem desafia o mundo e, principalmente, Washington.</p>
<p>Acho graça quando comentaristas, principalmente americanos, dizem que o grande discurso de Obama no Cairo enfraqueceu o antiamericanismo. Criou sim, certas expectativas nas chamadas classes dirigentes: lideranças políticas, empresariais, setores da intelectualidade secular. Para a massa nada mudou. Talvez poucos tenham conhecimento da visita do presidente americano. Palavras é o que mais escutam. Admiram os movimentos radicais que lutam pela imposição da lei muçulmana, a Shaaria, que fala e promete igualdade. A maioria vive na miséria.</p>
<p>O presidente iraniano tem vasto prestígio. É provável que as maiorias tenham aceitado a versão de manifestações populares, inspiradas pelos americanos e israelenses. Não é grande o acesso a televisão ou a informações de origem estrangeira. Se os americanos retomarem tentativas diálogo estarão provando que Ahmadinejad tem razão em sua orientação anti-ocidental e ódio à Israel. Vale a força.</p>
<p>Há um consenso no Irã sobre a bomba atômica e o poder. A revolta reflete um conflito interno. A Comunidade Internacional - Estados Unidos e Europa - demorou a protestar contra a violência. Foi surpreendida. Não sabia o que fazer. Existem as mais diversas especulações sobre quando a bomba iraniana fará sua estreia. E se Obama vai conseguir comprar uma mudança de rumo o que não se conseguiu em anos. Mas vai prestigiar o governo iraniano.</p>
<p>O paradoxal é que o perigo mais imediato não está sendo divulgado. A ameaça maior no momento é o arsenal atômico paquistanês. O Taleban, a Al Qaeda e, ainda, versões de que o próprio Osama bin Laden, estão dentro do Paquistão. É notória a ambição dos movimentos terroristas de ganharem acesso às armas de destruição em massa. As químicas, as biológicas, as nucleares.</p>
<p>John Murtha, deputado americano e presidente do poderoso subcomitê da Câmara dos Deputados, cometeu o que pode ser uma indiscrição. Ele levanta como possível a hipótese do governo paquistanês perder o controle do seu arsenal nuclear. E que então “seria absolutamente essencial que intervenhamos militarmente”. E que “é o que sugeriria”.</p>
<p>Estima-se, de acordo com a <a href="http://www.globalsecuritynewswire.org/" target="_blank">Global Security Newswire</a> do dia 24/4 e 12/5, que o Paquistão tenha o bastante para montar 60 bombas. O porta-voz do Pentágono, o Departamento de Defesa, é citado como tendo declarado que os Estados Unidos confiam na capacidade paquistanesa de defender seu arsenal. Murtha com 19 mandatos de deputado em sua carreira, ou 38 anos, é cético quanto a isto. O Paquistão tem 170 milhões de habitantes, é um país muçulmano com fronteira com o Afeganistão.</p>
<p>Além disso, como aliado dos americanos, o Paquistão não aceitaria se quer uma insinuação de falta de confiança de Washington. Mas que existe o arsenal, existe. As forças paquistanesas estão em combate com a Al Qaeda e o Taleban. E não há informações de que estão vencendo.</p>
<p>Por <a href="http://ultimosegundo.ig.com.br/opiniao/nahum/2009/06/24/o+perigo+e+a+bomba+do+paquistao+6936920.html" target="_blank">Nahum Sirotsky</a>, correspondente iG em Israel.</p>
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		<title>Eleições no Irã. Ou Ceteris Paribus</title>
		<link>http://www.mondopost.com.br/2009/06/16/eleicoes-no-ira-ou-ceteris-paribus/</link>
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		<pubDate>Tue, 16 Jun 2009 21:39:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mário Machado</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Artigos / Opinião]]></category>

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Ceteris Paribus é uma expressão latina que significa: “tudo o mais permanece constante”. Qualquer um que tenha estudado economia (principalmente microeconomia e os princípios de funcionamento do mercado) sabe que a expressão é usada como ferramenta pedagógica para enfatizar correlações diretas. Por exemplo, se houver acréscimo de preço de um bem, quantas unidades a mais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.mondopost.com.br/wp-content/uploads/2009/06/ira1.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-985" title="ira1" src="http://www.mondopost.com.br/wp-content/uploads/2009/06/ira1.jpg" alt="ira1" width="540" height="195" /></a></p>
<p><em>Ceteris Paribus</em> é uma expressão latina que significa: “<em><strong>tudo o mais permanece constante</strong></em>”. Qualquer um que tenha estudado economia (principalmente microeconomia e os princípios de funcionamento do mercado) sabe que a expressão é usada como ferramenta pedagógica para enfatizar correlações diretas. Por exemplo, se houver acréscimo de preço de um bem, quantas unidades a mais ou a menos venderá, considerando que todos os outros fatores permanecem congelados? Isso, obviamente, é um ferramental interessante, mas também nos dá uma idéia que pode ser exportada para a análise das relações internacionais.</p>
<p>Será que a troca ou não troca de presidente será apenas o preenchimento da condição <em>ceteris paribus</em>, ou seja, seria uma alteração que por natureza seria inócua no que tange as políticas levadas pelo Irã, que são motivos de discórdia e isolamento no sistema internacional. Entre elas, as principais: o apoio a organizações caracterizadas como terroristas, a retórica beligerante e intolerante quanto à existência do Estado de Israel e as insinuações nucleares (e não cumprimento da cláusula de inspeção).</p>
<p>A história nos mostra que todas essas políticas ganharam força com a Revolução Islâmica e são até hoje núcleo-duro da retórica mais ampla da política externa iraniana. Devo admitir que há um esforço grande feito pela diplomacia do Irã em projeção de softpower, principalmente a diplomacia cultural se valendo da herança da cultura persa.</p>
<p>A sociedade iraniana é muito, mas muito mais complexa e densa que a grande imprensa deixa transparecer, mas é uma sociedade cujos valores da revolução se mostram fortes e entranhados na maneira de ser das novas gerações. Não só pela força da coerção das leis, mas com os velhos mecanismo de despertar o nacionalismo. E para isso, nada melhor que um inimigo externo, como Israel ou EUA. E isso dá um norte que, independente da visão política, é mais ou menos consensual (sei que é um uso impróprio da palavra consenso, mas não me veio termo melhor) entre os Iranianos.</p>
<p>É curioso que um regime essencialmente ditatorial e teocrático tenha eleições. E eleições relativamente livres, já que os candidatos são pré-selecionados pelo conselho supremo. Mas pensando bem não é nada diferente de outros regimes ditatoriais longos, a via da supressão militar como único fator para forçar coerção é cara financeiramente, e provoca um recrudescimento das tensões e polarizações ao permitir zonas de tolerância política (mesmo que limitada). O regime fornece válvulas de escape e chance para a população exercer preferências em certos pontos da vida política nacional, o que prolonga a existência do regime, já que retira dos ombros dos Aiatolás o peso por coisas do dia a dia, como aumento da inflação e desemprego. E reforça sua imagem de liderança moral, que se ocupa unicamente dos valores de Estado.</p>
<p>Não deixa de ser um construto muito interessante, que sem dúvida merece estudos mais aprofundados, já que no Irã convivem a modernidade das redes sociais via internet, por exemplo, e os valores extremamente tradicionalistas que derivam da essência da revolução. Aparentemente a sociedade tem encontrado uma maneira muito interessante de coexistir entre modernidade e tradição, que parece ser o grande elemento, a grande questão das sociedades islâmicas. E devo reiterar, é admirável que isso se dê em um regime que, a priori, parece bastante fechado.</p>
<p>Os caminhos que serão tomados pelo Irã, com a ascensão da geração que nasceu depois da revolução, é uma incógnita e não tenho elementos para tentar esboçar, mas essa eleição mostra que apesar de não ser o que consideramos um democracia liberal, a vontade de participação política do povo iraniano é elevada e há um debate ativo sobre os destinos do Estado. Uma efervescência que em nada deve as democracias liberais mais institucionalizadas, com o particularismo de ser ultimamente uma teocracia, em que as eleições protegem e aumentam a autoridade moral dos Aiatolás, ou seja, pavimentaram seu caminho no poder ao justamente abrir de mão de exercê-lo com rigor e com os desgastes que disso advêm.</p>
<p>Em termos de política externa pode-se dizer que a vitória do atual presidente o colocará com mais munição e respaldo retórico que animará inúmeras controvérsias. Contudo, a existência de um grupo que, mesmo minoritário, defende uma posição mais voltada à cooperação é um fenômeno que não deve ser desprezado, nem aumentado em relevância.</p>
<p>Sobre a eleição e seu resultado, posso dizer com alguma certeza que a frase que mais bem descreve é <em>ceteris paribus</em>, ou seja, não obstante o resultado, no curto e médio prazo tudo permanece constante. Ou seja, <strong>Irã e Ocidente encastelados em suas posições. Consumindo combustível retórico, como um motor V-12, e inflamando ânimos e desconfianças e enquanto isso as pessoas comuns, o “Joe six pack”, o “Abdul six teas” e “Jacó six pack”, pagam o preço.</strong></p>
<p><em>Imagem: <a href="http://www.flickr.com/photos/rudiroels/3068355852/" target="_blank">Fonte</a>.</em></p>
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		<title>Coreia do Norte ameaça construir armas nucleares após punição</title>
		<link>http://www.mondopost.com.br/2009/06/14/coreia-do-norte-ameaca-construir-armas-nucleares-apos-punicao/</link>
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		<pubDate>Sun, 14 Jun 2009 13:49:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Marquine</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Militarismo]]></category>

		<category><![CDATA[Ásia-Pacífico]]></category>

		<category><![CDATA[armas nucleares]]></category>

		<category><![CDATA[Coreia do Norte]]></category>

		<category><![CDATA[onu]]></category>

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Pyongyang diz que bloqueio de armas imposto pelo Conselho de Segurança da ONU é ato de guerra do Ocidente.
A Coreia do Norte disse neste sábado que &#8220;nunca&#8221; abandonará seu programa nuclear e ameaçou iniciar uma operação militar, um dia depois de o Conselho de Segurança da ONU autorizar a inspeção de navios suspeitos de levar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone" src="http://www.mondopost.com.br/wp-content/uploads/2009/06/northkorea.jpg" alt="" width="540" height="195" /><br />
Pyongyang diz que bloqueio de armas imposto pelo Conselho de Segurança da ONU é ato de guerra do Ocidente.</p>
<p>A Coreia do Norte disse neste sábado que &#8220;nunca&#8221; abandonará seu programa nuclear e ameaçou iniciar uma operação militar, um dia depois de o <a href="http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,onu-aprova-endurecimento-das-sancoes-contra-coreia-do-norte,386394,0.htm">Conselho de Segurança da ONU autorizar a inspeção de navios suspeitos de levar armas para o regime comunista</a>.</p>
<p>O Ministério de Assuntos Exteriores de Pyongyang afirmou que usará o plutônio que armazena para construir armas nucleares. O regime de Kim Jong-il advertiu ainda que &#8220;responderá de forma militar&#8221; se os Estados Unidos e outros países realizarem um &#8220;bloqueio&#8221; de seus navios, pois o considerará &#8220;um ato de guerra&#8221;, informou a agência estatal norte-coreana &#8220;KCNA&#8221;.</p>
<p>Uma resolução aprovada ontem pelo Conselho de Segurança da ONU amplia o embargo de armas e o bloqueio de ativos norte-coreanos, e autoriza a inspeção de navios e aviões suspeitos de transportar mísseis ou armamento nuclear para Pyongyang.</p>
<p>A tensão sobre a Coreia do Norte cresceu muito desde o dia 5 de abril, quando o país disparou um foguete de longo alcance. Em seguida, em 25 de maio, o regime comunista realizou seu segundo teste nuclear e lançou vários mísseis de curto alcance, em desafio às advertências de países como EUA, Japão e Coreia do Sul.</p>
<p>Esse teste nuclear foi punido ontem com a nova resolução da ONU que inclui sanções mais pesadas contra o regime comunista. O texto foi aprovado com o apoio da China, principal aliado da Coreia do Norte e que hoje, mediante seu porta-voz de Exteriores, o qualificou como uma mostra &#8220;da oposição comum da comunidade internacional ao teste nuclear da Coreia do Norte&#8221;.</p>
<p>Os governos de Japão e Coreia do Sul aplaudiram hoje a nova resolução do Conselho de Segurança e se comprometeram a aplicá-la imediatamente. &#8220;Queremos que a Coreia do Norte leve a sério a clara mensagem da comunidade internacional na resolução&#8221;, disse o primeiro-ministro japonês, Taro Aso.</p>
<p>Já &#8220;o governo sul-coreano pede que a Coreia do Norte aceite esta clara e decidida mensagem da comunidade internacional, para que desmantele totalmente seu programa nuclear e paralise toda a atividade relacionada a mísseis balísticos&#8221;, disse o porta-voz do Ministério de Exteriores sul-coreano.</p>
<p>No entanto, as resoluções da ONU não conseguiram até agora acabar com as ambições nucleares do regime norte-coreano, que até agora negava ter um programa de enriquecimento de urânio, como suspeitavam os Estados Unidos, mas admitia avanços para extrair plutônio para construir armas nucleares.</p>
<p>Via <a href="http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,coreia-do-norte-ameaca-construir-armas-nucleares-apos-punicao,386693,0.htm">Estadão</a>.<br />
Imagem: <a href="http://www.flickr.com/photos/mytripsmypics/2525051338/">fonte</a>.</p>
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		<title>Potências da ONU acertam esboço de sanções à Coreia do Norte</title>
		<link>http://www.mondopost.com.br/2009/06/11/potencias-da-onu-acertam-esboco-de-sancoes-a-coreia-do-norte/</link>
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		<pubDate>Thu, 11 Jun 2009 15:25:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Marquine</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Política Internacional]]></category>

		<category><![CDATA[Ásia-Pacífico]]></category>

		<category><![CDATA[Coreia do Norte]]></category>

		<category><![CDATA[onu]]></category>

		<category><![CDATA[Teste Nuclear]]></category>

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Resolução que pune teste nuclear de Pyongyang será discutida por sete países envolvidos no caso.
Os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU mais o Japão e a Coreia do Sul concordaram nesta quarta-feira, 10, com o esboço de uma resolução da Organização das Nações Unidas que pode aumentar as sanções contra a Coreia [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone" src="http://www.mondopost.com.br/wp-content/uploads/2009/06/unsecuritycouncil.jpg" alt="" width="540" height="195" /><br />
Resolução que pune teste nuclear de Pyongyang será discutida por sete países envolvidos no caso.</p>
<p>Os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU mais o Japão e a Coreia do Sul concordaram nesta quarta-feira, 10, com o esboço de uma resolução da Organização das Nações Unidas que pode aumentar as sanções contra a Coreia do Norte por seu recente teste nuclear, informou um diplomata. A previsão é de que os 15 países que integram o Conselho de Segurança se reúnam ainda nesta quarta-feira para discutir o texto. Segundo diplomatas, a votação seria realizada na sexta-feira.</p>
<p>Segundo a BBC, os Estados Unidos e o Japão vêm pressionando por sanções severas para punir a Coreia do Norte pelo teste nuclear realizado em maio. No entanto, China e Rússia têm demonstrado cuidado para não provocar o governo norte-coreano. O governo americano diz que descarta uma ação militar contra a Coreia do Norte e prefere apostar nos esforços diplomáticos internacionais.</p>
<p>De acordo com diplomatas, o esboço da resolução tem 35 pontos e reafirma a proibição de atividades nucleares e testes com mísseis imposta pela ONU à Coreia do Norte. O texto do esboço de resolução também pede, segundo as fontes diplomáticas, um embargo para o comércio de armas e sanções financeiras contra a Coreia do Norte.</p>
<p>Uma cópia obtida pela AP mostra que entre as propostas dos autores do projeto aparece a permissão para promover buscas em embarcações suspeitas de transportar armas proibidas e material nuclear para o isolado país comunista. Pyongyang já advertiu que considerará a interceptação de seus navios como um ato de guerra.</p>
<p>O projeto de resolução também pede ao regime comunista para retornar ao processo negociador de seis lados (China, Estados Unidos, as duas Coreias, Rússia e Japão) iniciado em Pequim em 2003, que está paralisado por causa das divergências sobre como verificar o estoque atômico do regime comunista.</p>
<p>Via <a href="http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,potencias-da-onu-acertam-esboco-de-sancoes-a-coreia-do-norte,385354,0.htm">Estadão</a>.</p>
<img src="http://www.mondopost.com.br/?ak_action=api_record_view&id=939&type=feed" alt="" />]]></content:encoded>
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		<title>Welcome to the real world Mr. Obama [Parte 2]</title>
		<link>http://www.mondopost.com.br/2009/06/08/welcome-to-the-real-world-mr-obama-parte-2/</link>
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		<pubDate>Mon, 08 Jun 2009 20:18:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mário Machado</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[América do Norte]]></category>

		<category><![CDATA[Artigos / Opinião]]></category>

		<category><![CDATA[Oriente Médio]]></category>

		<category><![CDATA[Política Internacional]]></category>

		<category><![CDATA[Ásia-Pacífico]]></category>

		<category><![CDATA[EUA]]></category>

		<category><![CDATA[obama]]></category>

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Extremo e médio Oriente
No extremo oriente temos a rivalidade pela hegemonia regional entre Japão e China. E a Coréia do Norte, agindo como fator de desconfiança e controvérsia polarizando politicamente uma região que parece vocacionada a ter cadeias produtivas verdadeiramente regionais. A questão norte-coreana é de longe a mais complicada e exigirá do novo Presidente [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone" title="Obama" src="http://www.mondopost.com.br/wp-content/uploads/2009/05/obama1.jpg" alt="" width="540" height="195" /></p>
<p><strong>Extremo e médio Oriente</strong></p>
<p>No extremo oriente temos a rivalidade pela hegemonia regional entre Japão e China. E a Coréia do Norte, agindo como fator de desconfiança e controvérsia polarizando politicamente uma região que parece vocacionada a ter cadeias produtivas verdadeiramente regionais. A questão norte-coreana é de longe a mais complicada e exigirá do novo Presidente e de sua Secretária e Secretaria de Estado, muita habilidade e atenção, que, no entanto as guerras e as questões econômicas podem relegar esse assunto a uma inserção de novos atores nesse processo. Notadamente China e Rússia.</p>
<p>Oriente Médio é o grande desafio político global atual. Há várias forças atuando na região, manipulando e tentando manipular a opinião pública global, e há interesses de vários atores regionais por uma hegemonia local, além de ser um local que se tornou ponto de honra e fulcral da Política Externa Americana. Tanto é que o que parece girar entre a questão Israel-Palestina, nos mostra que há uma briga política entre Estados pela liderança na região (Irã, Egito, Jordânia, Síria até mesmo Turquia), há conflitos internos ideológicos dentro desses Estados, sobre visões políticas e religiosas. Um erro comum é tratar os países do chamado “bloco islâmico” como um só grupo de interesses. O Oriente Médio é, na verdade, bastante diversificado. Temos Estados compromissados com avanços tecnológicos e sociais, como os Emirados Árabes Unidos, Israel, de certa forma o Kuwait, e a Arábia Saudita. A tensão reside na questão palestina, muito bem conduzida pelo Irã, como maneira de se legitimar e voltar a ter peso na região se posicionando como ator relevante.</p>
<p>A questão Israel-Palestina se expandiu como fator desestabilizador, por causa da capacidade aglutinadora da chamada causa palestina, que serve de justificativa a forças extremistas. E por conta da inexistência de estados fortes e capazes de conter o terrorismo na região, assim essa questão palestina é usada como um buraco negro, no qual o horizonte de eventos (estudem física se não entenderam) draga todas as discussões, seja Iraque, Afeganistão, Irã ou Paquistão. Mas, não sejamos inocentes cada um desses conflitos e cada uma das justificativas usando Israel ou o Islã, está condicionada a fatores locais, regionais e por isso o desafio é enorme.</p>
<p>Um exemplo dessa complexidade enorme: é necessário para os EUA e as Forças da OTAN, evitar a retomada de fôlego dos talibãs no Afeganistão e que o Paquistão se mantenha como rota de abastecimento e principalmente que se envolva ativamente no conflito. Contudo, este último foi usado pelos EUA durante a guerra fria como Proxy para treinar os próprios talibãs para enfrentar os soviéticos, e as forças de segurança do Paquistão emularam esse comportamento ao permitir, incentivar e segundo alguns até fornecer treinamento, para que esses guerrilheiros e terroristas atacassem a Índia. Percebido como eterno inimigo paquistanês, o governo Bush, conseguiu manter a Índia longe desse conflito e tentou retirar esse estigma de inimigo, para que as forças paquistanesas se envolvessem mais na proteção de suas fronteiras, não permitindo espaço de recuo aos talibãs e a Al Qaeda.</p>
<p>A Al Qaeda repetiu, então, uma tática já usada na Espanha e no Reino unido ao melhor estilo Sun Tzu, de atacar membros mais fracos ou relutantes de coalizões (com sucesso no caso espanhol) e realizou os recentes ataques em Mumbai, tentando forçar a uma reação indiana que polarizasse o Paquistão. A Índia reagiu diplomaticamente com rigor, mas não com uma ação incendiária. E sob pressão de Washington, o Paquistão também teve que agir, no entanto, sua atuação ainda é dúbia, já que por um lado diz combater os extremistas, mas por outro cedeu à agenda extremista da permissão do uso da Sharia em algumas províncias, mas imagens de violência contra mulheres em decorrências desses tribunais escandalizaram a sociedade paquistanesa, o que mostra a pluralidade da região. Por isso foi feito o uso do sofrimento palestino para aglutinar, fazer esquecer as diferenças internas, e enfraquecer as forças modernizadoras, vistas e acusadas de serem pró-ocidentais e pró-Israel.</p>
<p><strong>Eurásia</strong></p>
<p>Para temperar mais um pouco o tabuleiro geopolítico, tem a Rússia exercendo poder coercitivo, em sua antiga esfera soviética, reagindo ao avanço da influencia da OTAN e da Europa e usando a energia como arma estratégica, se aproveitando da dependência européia. E a Turquia lutando contra separatistas curdos que são aliados americanos no Iraque, e controlam a região que estava mais tranqüila nesse país. E lembremos que a Turquia, uma democracia secular de maioria islâmica, também enfrenta internamente os desafios impostos pelo buraco negro Israel-Palestina, alimentado por um sentimento nacionalista que surgiu da insatisfação do resultado negativo dos esforços turcos empreendidos com vistas a se juntarem a União Européia.</p>
<p>Esse é o mundo geopolítico em que os EUA cruzam com interesses de vários atores regionais de peso, convergindo em uma área, e divergindo fortemente em outra. O espaço de ação unilateral se reduziu muito com a crise global e as duas guerras que já se prolongam, uma política de alianças estratégicas mais amplas se apresenta como um método para a política externa americana, mas isso vai exigir redução de tom na retórica americana, o que pode ser muito ruim para o público interno, ainda mais se a economia não der sinais de melhora.  A China joga um papel importante nesse quesito, já que a crise mundial atual é em grande medida resultado da convergência de uma política de estimulo ao consumo nos EUA, via poupança externa e uma política de elevada expansão industrial da China, que também exportou poupança para os EUA, retendo mais de 1 trilhão de dólares em títulos do tesouro americano, além desse papel econômico, há um papel político, principalmente de contenção da Coréia do Norte, de frente de negociação com o Irã e com o norte da África, que a China, por conta de uma agenda própria reluta em aceitar.</p>
<p><strong>Considerações finais</strong></p>
<p>A agenda externa americana como vemos é espinhosa, global, e não será resolvida com carisma e belos discursos, mas com ações. O fator segurança interna dos EUA e de seus interesses continua no centro das atenções. Podem não chamar mais de Guerra ao Terrorismo, mas o radicalismo, extremismo alimentado por religiões, já foi por ideologias pouco tempo atrás, e ainda é já que numa análise mais próxima, vemos que não está em jogo uma incapacidade de convivência harmônica do Islã com o mundo ocidental, e sim uma disputa interna pelo poder e pela organização social, que usa o Islã e toda a retórica associada como justificação para obtenção de poder, e derrotar essas aspirações, não se iludam ainda é o objetivo principal dos EUA. Por isso mesmo Washington, já desde os últimos meses do governo Bush, vem pressionando até mesmo Israel, que alguns veem como Proxy americano e ocidental na região a se coadunar nessa busca dos EUA.</p>
<p>A agenda americana circula desde temas energéticos (como a redução da dependência de petróleo não abordada aqui, mas veiculada e analisada por muitos), temas ambientais (mesma temática anterior), direitos humanos, etc. Mas são os temas de segurança primordiais na agenda, tanto segurança de fronteiras, quanto criminalidade transnacional, como a ameaça terrorista não só no território americano, mas contra seus interesses e aliados. E claro, a onipresente crise mundial, que de certa forma exacerba muitos dos pontos que vimos acima ao mesmo tempo em que diminui a capacidade americana e de seus aliados, mas também dos adversários de agir, mas fornece muito combustível retórico aos adversários dos EUA em regiões onde “corações e mentes” podem ser o fiel da balança na direção tanto do conflito, como da cooperação.</p>
<p><strong>Assim, welcome to real world Mr. Obama, be careful. </strong></p>
<p><a href="http://www.mondopost.com.br/2009/05/30/welcome-to-the-real-world-mr-obama-parte-1/" target="_blank">Leia a parte 1 aqui</a>.</p>
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		<title>O novo vexame do Brasil na ONU</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Jun 2009 20:35:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Enrique Villalobos</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[América do Sul]]></category>

		<category><![CDATA[Artigos / Opinião]]></category>

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		<category><![CDATA[Human Rights Watch]]></category>

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O Conselho de Direitos Humanos da ONU aprovou no dia 27 de maio uma resolução em que aborda o fim da guerra civil no Sri Lanka. O texto não faz nenhuma menção à necessidade de investigar os evidentes crimes de guerra contra milhares de civis, cometidos pelos dois lados do conflito. Além disso, a resolução [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.mondopost.com.br/wp-content/uploads/2009/06/itamaraty.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-831" title="itamaraty" src="http://www.mondopost.com.br/wp-content/uploads/2009/06/itamaraty.jpg" alt="itamaraty" width="540" height="195" /></a></p>
<p>O Conselho de Direitos Humanos da ONU aprovou no dia 27 de maio uma resolução em que aborda o fim da guerra civil no Sri Lanka. O texto não faz nenhuma menção à necessidade de investigar os evidentes crimes de guerra contra milhares de civis, cometidos pelos dois lados do conflito. Além disso, a resolução pede que o governo do Sri Lanka permita o trabalho de organizações humanitárias nas regiões habitadas pelos tâmeis, minoria que buscava a independência, mas deixa às autoridades o poder de decidir quando isso é ou não “apropriado”. Ou seja, um vexame completo.</p>
<p>O Brasil aprovou a resolução, juntando-se a próceres dos direitos humanos como Cuba, China, Rússia e Arábia Saudita. Mais do que isso. Segundo a <a href="http://www.hrw.org/en/news/2009/05/27/sri-lanka-un-rights-council-fails-victims" target="_blank">Human Rights Watch</a>, o Brasil foi um dos líderes do movimento diplomático que impediu que uma resolução mais dura fosse aprovada. Manteve assim o hábito lamentável de promover e premiar a “autodeterminação” de países administrados por governos arbitrários, em nome da “não-interferência” e de um suposto estímulo ao diálogo.</p>
<p>Números da própria ONU dão conta que, de janeiro a maio, 7 mil civis morreram em razão dos confrontos, e outros milhares estão detidos indefinidamente em campos mantidos pelo governo do Sri Lanka. O Conselho de Direitos Humanos nem tocou nesse assunto. Preferiu acreditar na “disposição” do governo cingalês de “superar” essa fase da história do país.</p>
<p>Nem parece o mesmo Conselho de Direitos Humanos que, com o voto do Brasil, foi tão expedito em montar uma comissão para investigar os crimes de guerra cometidos por Israel (e somente os cometidos por Israel) na campanha militar em Gaza, infinitamente menos letal do que a guerra no Sri Lanka.</p>
<p>Enquanto é zeloso em relação aos israelenses, o Conselho de Direitos Humanos tem sido miseravelmente leniente sobre as violações no Sudão, em Mianmar e agora no Sri Lanka, a despeito dos apelos feitos pela própria comissária da ONU para direitos humanos, Navi Pillay: “As imagens de mulheres, crianças e homens apavorados e emaciados, fugindo das zonas de batalha no Sri Lanka, deveriam estar encravadas em nossa memória coletiva. Deveriam nos levar a agir”.</p>
<p>Por <a href="http://blog.estadao.com.br/blog/guterman/?title=o_novo_vexame_do_brasil_na_onu&amp;more=1&amp;c=1&amp;tb=1&amp;pb=1" target="_blank">Marcos Guterman</a>.</p>
<p><em>Imagem: <a href="http://www.flickr.com/photos/81124164@N00/1184335006/" target="_blank">Fonte</a>.</em></p>
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