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	<title>MondoPost &#187; Artigos / Opinião</title>
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	<description>Relações Internacionais de verdade!</description>
	<pubDate>Sat, 10 Oct 2009 20:52:23 +0000</pubDate>
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		<title>A política do wishful thinking</title>
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		<pubDate>Sat, 10 Oct 2009 20:50:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mr. X</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[América do Norte]]></category>

		<category><![CDATA[Artigos / Opinião]]></category>

		<category><![CDATA[Nobel]]></category>

		<category><![CDATA[obama]]></category>

		<category><![CDATA[paz]]></category>

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		<description><![CDATA[
A Academia surpreendeu o mundo dando o Prêmio Nobel da Paz para Obama. Não que ele não fosse o candidato ideal para esse grupo de velhotes que já premiou criaturas obscenas como o terrorista Yasser Arafat e a picareta Rigoberta Menchu. Mas é que Obama, fora belos discursos, não fez ainda NADA digno de nota [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-1424" title="obama" src="http://www.mondopost.com.br/wp-content/uploads/2009/10/obama.jpg" alt="obama" width="540" height="195" /></p>
<p>A Academia surpreendeu o mundo dando o Prêmio Nobel da Paz para Obama. Não que ele não fosse o candidato ideal para esse grupo de velhotes que já premiou criaturas obscenas como o terrorista Yasser Arafat e a picareta Rigoberta Menchu. Mas é que Obama, <span style="font-style: italic;">fora belos discursos</span>, não fez ainda NADA digno de nota na sua administração. Zero, zilch, nulla, nada. O próprio Saturday Night Live, dominado por escritores esquerdistas, fez um <a href="http://www.youtube.com/watch?v=_mMR9Ztva58">esquete</a> observando a curiosa falta de <span style="font-style: italic;">acomplishments</span> do presidente-celebridade.</p>
<p>Qual famoso acordo de paz Obama celebrou em seus oito meses de governo? Qual ação de sua administração poderia ter sido usada como desculpa para o prêmio? E notem ainda que, de acordo com as próprias regras da Academia, as ações que contam para o prêmio teriam de ocorrer <span style="font-weight: bold;">antes de 1 de fevereiro de 2009</span>. Ou seja, para o comitê <del>sueco</del> norueguês (ao contrário dos outros Nobel, o prêmio da paz é escolhido por um <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Nobel_Peace_Prize">comitê norueguês</a>), a grande ação de paz de Obama foi mesmo se eleger presidente.</p>
<p>Como mesmo seus discursos - um no Egito bajulando o povo muçulmano, outro na Europa pedindo um mundo sem armas nucleares - tiveram resultados negativos, isto é, resultaram apenas em posturas mais agressivas de <del>inimigos</del> &#8220;países incompreendidos&#8221; como Coréia do Norte e Irã, só podemos concluir uma coisa: para o Comitê Nobel, resultados não contam. Nem mesmo acordos de paz contam. Contam só belos discursos, só o <span style="font-style: italic;">wishful thinking</span>. Se eu amanhã subir em um caixote e disser em praça pública que desejo um mundo de paz em que todos vivam de mãos dadas, corro o sério risco de receber um Nobel na cabeça.</p>
<p>Isso é perigoso. É perigoso para Obama, pois gera expectativas que não serão cumpridas: temo que, daqui por diante, vai ser só ladeira abaixo para o rapaz.</p>
<p>É perigoso para o mundo, pois a idéia de que as palavras e as (supostas) boas intenções sejam mais importantes do que as ações, embora seja um firme dogma da esquerda, não funciona no mundo real. Em breve teremos um Irã com armas nucleares e uma possível proliferação por todo o Oriente Médio, e não há discurso de paz que possa resolver esse pepino.</p>
<p>Mas talvez o comitê tenha escolhido Obama agora justamente por essa razão: em um ano, quando a situação mundial pegar fogo, mísseis voarem e a popularidade do presidente estiver rastejando, será tarde.</p>
<p>Isso nos leva também a uma certa teoria da conspiração. Quer dizer, Obama é um mistério. Praticamente tudo o que ele conquistou foi menos por mérito do que por sorte ou indicação. Vejam bem: depois de ter feito um college medíocre e viver em meio a drogas e dissolução, de repente começou uma ascenção vertiginosa. Foi aceito em Harvard. (Não se sabe quais notas teve, pois ninguém divulga.) Ganhou um contrato para escrever duas autobiografias, sem ter escrito previamente um panfleto sequer (há quem diga que Bill Ayres seja o ghost-writer desses livros). Virou Senador antes de ter tido qualquer emprego. Foi eleito Presidente na base da esperança. E, agora, ganha o Nobel antes de ter feito qualquer coisa para merecê-lo.</p>
<p>Só há duas explicações: ou ele é apenas uma marionete de um poderoso grupo globalista internacional, ou ele é mesmo o <a href="http://blogdomrx.blogspot.com/2008/02/ser-que-obama-o-anticristo.html">Anticristo</a>.</p>
<table style="font-style: italic;" border="0" cellspacing="2" cellpadding="2" width="100%" align="center">
<tbody>
<tr>
<td>O villain, villain, smiling, damned villain!</td>
<td align="right" valign="top"><a name="114"> </a></td>
</tr>
<tr>
<td>My tables,—meet it is I set it down,</td>
<td align="right" valign="top"><a name="115"> </a></td>
</tr>
<tr>
<td>That one may smile, and smile, and be a villain;</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><span style="font-weight: bold;">(Hamlet, Act I, Scene V)</span></p>
<p>Via <a href="http://blogdomrx.blogspot.com/2009/10/politica-do-wishful-thinking.html" target="_blank">Blog do Mr X</a>.</p>
<p>Imagem: <a href="http://www.flickr.com/photos/benheine/3520998607/" target="_blank">Barack Obama&#8217;s Toughest Opponent: Himself (Ben Heine)</a>.<span style="font-weight: bold;"><br />
</span></p>
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		<title>Métodos de Negociação – Técnica Batna</title>
		<link>http://www.mondopost.com.br/2009/10/10/metodos-de-negociacao-%e2%80%93-tecnica-batna/</link>
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		<pubDate>Sat, 10 Oct 2009 20:49:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mário Machado</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Artigos / Opinião]]></category>

		<category><![CDATA[Negociações Internacionais]]></category>

		<category><![CDATA[Batna]]></category>

		<category><![CDATA[Maana]]></category>

		<category><![CDATA[negociação]]></category>

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		<description><![CDATA[
Tenho escrito nesse portal uma série de artigos sobre a atividade negociadora, a principio tenho abordado a questão conceitual, as habilidades individuais necessárias e como concatenar as matérias da graduação em relações internacionais, com essa atividade, assim venho enfatizando a importância da preparação, da capacidade de análise, da capacidade de controlar e usar as emoções [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-1422" title="handshake" src="http://www.mondopost.com.br/wp-content/uploads/2009/10/handshake.jpg" alt="handshake" width="540" height="195" /></p>
<p>Tenho escrito nesse portal uma série de artigos sobre a atividade negociadora, a principio tenho abordado a questão conceitual, as habilidades individuais necessárias e como concatenar as matérias da graduação em relações internacionais, com essa atividade, assim venho enfatizando a importância da preparação, da capacidade de análise, da capacidade de controlar e usar as emoções e reiteradamente lembro o valor da preparação e do trato objetivo das questões, quando numa mesa de negociação.</p>
<p>Nesse texto, introduzo uma ferramenta prática, muito usada na preparação de uma negociação internacional, que é construída sobre os trabalhos de (FISHER; URY. 1994), que é o sistema Batna (Best alternative to a negotiated agreement) que pode ser encontrado na literatura como Maana (Melhor alternativa à negociação de um Acordo).</p>
<p>Esse método é apresentado não só na obra “Como chegar ao sim” dos autores já citados, editado pela Imago, mas também em manuais de Diplomacia Comercial, como o excelente: “Como derrubar as barreiras internacionais de comércio: Manual de Diplomacia Comercial” de Paulo Nogueira, da Editora Aduaneiras.</p>
<p>Esse método consiste na formulação rigorosa dos conceitos apresentados, nos textos anteriores e cuja racionalização é possível graças aos conhecimentos oferecidos pela graduação em relações internacionais, que cria não só o rigor analítico e a facilidade de lidar com assuntos diversos, mas também a sensibilidade cultural, que cria um ambiente de negociação propício ao acordo, que nem sempre é o que a alta-administração da empresa, ONG, ou órgão público, tem como ideal, portanto esse método permite, antecipar e calcular um acordo que não o ideal, é um meio de não ser surpreendido a mesa de negociação com uma posição aparentemente inflexível da contra-parte.</p>
<p>Isso por que ao conhecer os interesses envolvidos é possível mapear alternativas viáveis e práticas, por que o cenário ideal, raramente é visto na mesa de negociação e a ruptura pode significar prejuízo à organização, afinal foram gastos horas de trabalho e recursos pecuniários na busca dessa negociação.</p>
<p>Nesse método de cinco passos que permite por no papel uma avaliação de todos os atores envolvidos na negociação, seus interesses, suas opções possíveis, critério objetivo de cada um desses atores e a Batna (que é a alternativa para salvar a negociação).</p>
<p>O primeiro item consiste em listar, todas as organizações que podem ser envolvidas direta e indiretamente na negociação e o número de atores e sua relevância se alteram a cada negociação, de forma geral, não se pode esquecer grupos de pressão, sindicatos, burocratas, o próprio negociador da contraparte, a imprensa, acionistas, etc.</p>
<p>Uma vez identificados esses atores é hora de descobrir os interesses de cada um na negociação, o que têm a perder e a ganhar, um exemplo, burocratas, tendem a querer agradar seus superiores e avançarem em suas carreiras, sindicalistas tendem a querer manutenção e melhoria de condições de emprego e objetam veementemente redução de trabalhadores, horas ou benefícios. Um repórter vai querer, ter acesso a informações mais detalhadas que seus concorrentes, grupos de pressão ambiental vão se preocupar com impactos ambientais, e assim por diante.</p>
<p>É um passo essencial, que necessita de um trabalho adequado, por que sem identificar corretamente os interesses, não poderemos construir um cenário que permita descobrir as condições objetivas da negociação, e as alternativas.</p>
<p>A quarta etapa como vimos é a identificação das condições objetivas, assim é preciso uma miríade de conhecimentos que permitam após uma meticulosa reflexão definir essas condições, além disso, nessa etapa como nas demais é preciso, trabalhar metodologicamente e com rigor, a profusão de informações que devem ser apuradas nessa fase de preparação, é nessa fase que o cientista e o operador de relações internacionais no mercado (por assim dizer) se sobrepõem, pois ao aplicar o rigor da ciência no trato das informações aumenta-se muito a chance de obterem-se conclusões corretas e antecipar as posições das partes interessadas.</p>
<p>É aqui que multidisciplinaridade de um profissional de relações internacionais se destaca ao poder sem muitos problemas observar questões políticas internas e externas, macroeconômicas, microeconômicas, legislação internacional, regimes internacionais, logística, contratos internacionais, ou seja, é capaz de decodificar todas as informações levantadas pela equipe de maneira rápida e satisfatória. Além de trazer elementos que podem ser esquecidos por profissionais de outros ramos, como a influencia e os riscos políticos, todas essas coisas que somos treinados a perceber. Que em caso de investimentos, ou de parcerias de longo prazo, se não observados o resultado pode ser potencialmente prejudicial à empresa e/ou organização que você esteja representando, pode ser prejudicial por causas políticas (nacionalização, por exemplo), dificuldades de receber os pagamentos, levantamento de barreiras comerciais.</p>
<p>Ao fazer esse levantamento chegamos ao ponto crucial desse método que é ter propostas por escrito a mão pronta para serem usadas quando a negociação chegar a pontos de impasse, pois nesse momento ter uma Batna, não só evita o rompimento das negociações, como oferece um cenário, ainda vantajoso para ambas as partes, sem, contudo ser o ideal, mas não é prejudicial, ou seja, esse é um método para ser usado em negociações cooperativas.</p>
<p>Essa é uma das muitas metodologias disponíveis, mas que se usada a profundo, com todas as etapas analisadas a fundo deve dotar o negociador com alternativas para todos os impasses previsíveis, e pelo conhecimento adquirido na preparação, deve ter a capacidade de chegar a um acordo, não previamente vislumbrado, mas que seja confortável para todos os envolvidos.</p>
<p>Pode-se concluir que o processo negociador começa antes mesmo da definição da tática a ser usada, começa na identificação dos objetivos estratégicos da empresa, da pesquisa sobre os envolvidos e na busca de alternativas, que necessariamente, nos coloca diante da tarefa de se por no lugar das outras partes envolvidas, e aqui temos outra vantagem da sensibilidade e facilidade de transitar por diferentes culturas e opiniões que em geral, consta do perfil dos bacharéis em Relações Internacionais. Como sempre para melhores e mais completas informações busquem os autores aqui citados, e façam uma pesquisa, sobre esse método, que apesar de trabalhoso, prevê situações que podem resultar no fracasso das negociações e por isso ajuda a preparar variações táticas que evitem que isso ocorra.</p>
<p>Imagem: <a href="http://www.flickr.com/photos/32490173@N05/3169262303/" target="_blank">Fonte</a>.</p>
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		<title>Teatro do absurdo</title>
		<link>http://www.mondopost.com.br/2009/09/27/teatro-do-absurdo/</link>
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		<pubDate>Sun, 27 Sep 2009 18:51:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mr. X</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[América Central]]></category>

		<category><![CDATA[América do Sul]]></category>

		<category><![CDATA[Artigos / Opinião]]></category>

		<category><![CDATA[Política Internacional]]></category>

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		<category><![CDATA[Honduras]]></category>

		<category><![CDATA[Zelaya]]></category>

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		<description><![CDATA[Enquanto seus seguidores se empanturram na Embaixada do Brasil sem dividir a comida com os famintos funcionários brasileiros, Zé da Laia afirma que está sendo &#8220;torturado com gases tóxicos alteradores da consciência&#8221; e por &#8220;radiação de alta freqüência&#8221; (sic) produzida por &#8220;mercenários israelenses&#8221; que &#8220;planejam assassiná-lo&#8221;. Realmente, a julgar pela foto abaixo, o sujeito parece [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Enquanto seus seguidores se empanturram na Embaixada do Brasil <a href="http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2009/09/23/zelayistas-nao-dividem-comida-funcionarios-da-embaixada-brasileira-passam-fome-767746420.asp">sem dividir a comida com os famintos funcionários brasileiros</a>, Zé da Laia <a href="http://www.miamiherald.com/news/5min/story/1248828.html">afirma</a> que está sendo &#8220;torturado com gases tóxicos alteradores da consciência&#8221; e por &#8220;radiação de alta freqüência&#8221; (sic) produzida por &#8220;mercenários israelenses&#8221; que &#8220;planejam assassiná-lo&#8221;. Realmente, a julgar pela foto abaixo, o sujeito parece estar passando muito mal.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-1409" title="ze-laia" src="http://www.mondopost.com.br/wp-content/uploads/2009/09/ze-laia.jpg" alt="ze-laia" width="495" height="371" /></p>
<p>Que bufões como Chávez, Evo e Zelaya sejam não apenas levados a sério, como ainda colocados em posições de poder em lugar do <span style="font-weight: bold;">quarto de hospício </span>que claramente merecem, só mostra que passamos dos limites há muito tempo.</p>
<p>Pobre América Latina. Parece-se cada vez mais a uma peça de Becket ou de Ionesco.</p>
<p>Via <a href="http://blogdomrx.blogspot.com/2009/09/teatro-do-absurdo.html" target="_blank">Blog do Mr. X</a>.</p>
<img src="http://www.mondopost.com.br/?ak_action=api_record_view&id=1408&type=feed" alt="" />]]></content:encoded>
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		<title>Especialistas alemães veem com ceticismo cooperação militar Brasil-França</title>
		<link>http://www.mondopost.com.br/2009/09/06/especialistas-alemaes-veem-com-ceticismo-cooperacao-militar-brasil-franca/</link>
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		<pubDate>Sun, 06 Sep 2009 23:29:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Enrique Villalobos</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[América do Sul]]></category>

		<category><![CDATA[Artigos / Opinião]]></category>

		<category><![CDATA[Europa]]></category>

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		<category><![CDATA[Negociações Internacionais]]></category>

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		<category><![CDATA[cooperação]]></category>

		<category><![CDATA[França]]></category>

		<category><![CDATA[militar]]></category>

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		<description><![CDATA[
O presidente francês, Nicolas Sarkozy, chega ao Brasil nesta segunda-feira (07/09) para, entre outros compromissos, ratificar um acordo de cooperação militar com o Brasil. A parceria prevê a fabricação de 50 helicópteros, a construção em série de quatro submarinos convencionais, além do desenvolvimento do primeiro submarino brasileiro de propulsão nuclear.
Também estão previstos investimentos em instalações [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-1389" title="french_ssbn_submarine" src="http://www.mondopost.com.br/wp-content/uploads/2009/09/french_ssbn_submarine.jpg" alt="french_ssbn_submarine" width="540" height="195" /></p>
<p>O presidente francês, Nicolas Sarkozy, chega ao Brasil nesta segunda-feira (07/09) para, entre outros compromissos, ratificar um acordo de cooperação militar com o Brasil. A parceria prevê a fabricação de 50 helicópteros, a construção em série de quatro submarinos convencionais, além do desenvolvimento do primeiro submarino brasileiro de propulsão nuclear.</p>
<p>Também estão previstos investimentos em instalações industriais e portuárias. A propulsão nuclear será desenvolvida pelo Brasil, o know-how nuclear explicitamente não faz parte do acordo. O projeto vai custar ao governo brasileiro cerca de 8,6 bilhões de euros e será financiado, em parte, através de empréstimo feito por um consórcio de seis bancos europeus.</p>
<p>A parceria estratégica de defesa entre os dois países foi estabelecida durante a visita de Sarkozy ao Brasil em dezembro passado. A colaboração militar poderá ainda incluir a compra de 36 caças franceses. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recentemente havia dito que também poderiam ser feitos negócios envolvendo aviões militares, pois a França ofereceria uma ampla transferência de tecnologia.</p>
<p><strong>Investimento vale a pena?</strong></p>
<p>Especialistas alemães da área de defesa veem a cooperação militar com ceticismo. Na opinião deles, o tratado de custo bilionário, que renovará o arsenal militar brasileiro, pode contribuir para impulsionar uma corrida armamentista dentro do continente latino-americano sem, entretanto, trazer os benefícios esperados pelo governo brasileiro.</p>
<p>“Não estou muito certo se o Brasil realmente conseguirá a transferência tecnológica almejada com esse acordo”, comenta o jornalista Otfried Nassauer, diretor do Centro de Informação Berlinense para Segurança Transatlântica (BITS, na sigla em alemão).</p>
<p>Ele avalia que há uma considerável chance de o projeto brasileiro do submarino nuclear ter resultados aquém do esperado. “Não é possível hoje saber se esse projeto realmente terá o sucesso desejado do ponto de vista tecnológico e se ele dará ao Brasil uma vantagem militar em relação a outros países. Um projeto tão ambicioso também pode fracassar”, afirma.</p>
<p>Nassauer não acha que a atual cooperação com a França seja motivo de apreensão para as nações vizinhas ao Brasil, devido ao bom relacionamento entre os atuais governos do continente. Entretanto, sua opinião é que o dinheiro seria mais bem empregado em outros setores.</p>
<p>“A pergunta que o governo Lula deve se fazer é se os investimentos não são muito altos e se é o caso de investir tanto dinheiro no próprio status político e militar”, questiona Nassauer. “Há muitos outros setores da sociedade e da economia nos quais, com os mesmos recursos, provavelmente se obteria bem mais postos de trabalho e possivelmente até maior transferência de tecnologia. Tecnologia militar é sempre mais cara do que a tecnologia civil”, acrescenta o jornalista.</p>
<p><strong>Hegemonia regional</strong></p>
<p>O cientista político Daniel Flemes, especialista em políticas de segurança do Instituto Alemão para Estudos Globais e Regionais (Giga), de Hamburgo, avalia que a cooperação com a França pode enfraquecer a cooperação com os vizinhos latino-americanos e provocar uma competição regional por armamentos.</p>
<p>“O fato de o Brasil estar procurando parceiros fora da América Latina em busca de know-how tecnológico pode provocar uma corrida armamentista no continente e pode ser um entrave para uma maior colaboração com os países vizinhos no setor de defesa”, alerta Flemes.</p>
<p>Ele lembra que o acordo é apenas mais um passo do Brasil não só para confirmar sua posição como líder regional, mas também para pavimentar o caminho rumo ao tão sonhado status de grande potência. “O país se esforça para sublinhar sua hegemonia regional não somente na área econômica e política, como também militar. E, ao mesmo tempo, procura consolidar sua posição de potência emergente num contexto mais amplo”, explica Flemes.</p>
<p>Para o analista, este é um passo compreensível, lembrando os esforços dos países próximos na ampliação do poderio militar. “Alguns países vizinhos ao Brasil também estão se empenhando na modernização de seu aparato militar. A Venezuela gastou, nos últimos quatro a cinco anos, 4 bilhões de euros em importações de armamentos da Rússia, enquanto o Chile também vem investindo pesadamente em armamentos nos últimos anos”, ressalta Flemes.</p>
<p>“O Brasil não está sozinho”, resume o cientista político, ao lembrar que a soma de gastos com armamentos dos países sul-americanos mais que duplicou nos últimos cinco anos.</p>
<p><strong>Alemanha não tem experiência</strong></p>
<p>O ministro brasileiro da Defesa, Nelson Jobim, justifica a escolha afirmando que os franceses foram os únicos que se dispuseram a transferir tecnologia para o Brasil. Além do mais, a Alemanha, que também havia sido consultada, não teria experiência com a construção de submarinos nucleares.</p>
<p>&#8220;Isso é correto. A Alemanha nunca construiu um submarino com propulsão nuclear. E também nunca construiu um submarino tão grande que comporte um reator nuclear. Os submarinos alemães são significativamente menores&#8221;, diz Nassauer.</p>
<p>Autor: <a href="http://www.dw-world.de/dw/article/0,,4637843,00.html?maca=bra-rss-br-all-1030-rdf" target="_blank">Marcio Damasceno</a></p>
<p>Revisão: Roselaine Wandscheer</p>
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		<title>Compaixão por terroristas</title>
		<link>http://www.mondopost.com.br/2009/08/24/compaixao-por-terroristas/</link>
		<comments>http://www.mondopost.com.br/2009/08/24/compaixao-por-terroristas/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 25 Aug 2009 01:52:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mr. X</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Artigos / Opinião]]></category>

		<category><![CDATA[Europa]]></category>

		<category><![CDATA[Terrorismo]]></category>

		<category><![CDATA[África]]></category>

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		<category><![CDATA[Lockerbie]]></category>

		<category><![CDATA[Reino Unido]]></category>

		<category><![CDATA[terrorismo]]></category>

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		<description><![CDATA[
Há algo de podre no mundo ocidental. Talvez mereçamos mesmo morrer e ser destruídos sem piedade.
O terrorista responsável pelo atentado de Lockerbie, que matou 270 pessoas, foi solto pelas autoridades escocesas e retornou à Líbia, onde foi recebido como herói.
O motivo alegado é a compaixão: o pobre terrorista estava com câncer e morreria logo, mas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-1378" title="terrorism" src="http://www.mondopost.com.br/wp-content/uploads/2009/08/terrorism.jpg" alt="terrorism" width="540" height="195" /></p>
<p>Há algo de podre no mundo ocidental. Talvez mereçamos mesmo morrer e ser destruídos sem piedade.</p>
<p>O terrorista responsável pelo atentado de <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Pan_Am_Flight_103">Lockerbie</a>, que matou 270 pessoas, foi solto pelas autoridades escocesas e retornou à Líbia, onde foi recebido como herói.</p>
<p>O motivo alegado é a compaixão: o pobre terrorista estava com câncer e morreria logo, mas há suspeitas que a verdadeira razão seja um <a href="http://pajamasmedia.com/richardfernandez/2009/08/22/a-tribute-to-our-decency/">lucrativo</a> acordo comercial do Reino Unido com a Líbia. Parece ser uma explicação mais plausível. Negócios, negócios, justiça à parte.</p>
<p>Independentemente dos motivos, um articulista do Guardian, porta-voz maior do esquerdismo atual, <a href="http://www.guardian.co.uk/commentisfree/2009/aug/23/kenny-macaskill-decision-megrahi-release">celebrou</a> a liberdade do terrorista, afirmando ser um &#8220;tributo à decência humana&#8221;. Que um asno zurre asneiras, não é surpreendente. Mas o número de imbecis concordando nos comentários não deixa de ser algo arrasador.</p>
<p>270 pessoas morreram sem qualquer compaixão. O próprio terrorista preso jamais demonstrou qualquer arrependimento pelo massacre. Os líbios, os palestinos (também acusados de participação no atentado, ao lado do Irã), e por extensão todo o mundo islâmico, agora mesmo celebram seu herói e cospem coletivamente na cova dos 270 &#8220;infiéis&#8221; mortos.</p>
<p>Richard Fernandez observa que, ao mesmo tempo em que o terrorista foi solto, as autoridades inglesas <a href="http://pajamasmedia.com/richardfernandez/2009/08/21/what-a-wonderful-world/">prenderam</a> uma adolescente acusada de <span style="font-style: italic;">cyberbulling</span> no Facebook, dando a letra de quais são os crimes que realmente preocupam nossa superficial sociedade atual.</p>
<p>Mas o evento mostra principalmente que, na verdade, a tal &#8220;compaixão&#8221; progressista não passa de um narcisismo delirante. O importante é <span style="font-style: italic;">mostrar</span> compaixão, aparecer <span style="font-style: italic;">aos outros</span> como mais nobre, mais bom, defensor dos frascos e comprimidos, mesmo à custa de mais atentados, que fatalmente ocorrerão. O articulista do Guardian pode dar-se ao luxo de celebrar a &#8220;compaixão&#8221; por um terrorista pois não foram seus familiares os que morreram na explosão. Afinal, o importante é mostrar que &#8220;somos melhores do que eles&#8221;. E, se de quebra ainda der para conseguir um milionário acordo petrolífero, que problema há?</p>
<p>Não, uma sociedade que libera um assassino de 270 pessoas, na maioria mulheres e crianças, após meros 7 anos de cadeia, não é uma sociedade &#8220;decente&#8221;. É uma sociedade estúpida, em fase de câncer terminal.</p>
<p>Via <a href="http://blogdomrx.blogspot.com/2009/08/compaixao-por-terroristas.html" target="_blank">Blog do Mr. X</a>.</p>
<p><em>Imagem: <a href="https://www.cia.gov/news-information/cia-the-war-on-terrorism/dci-counterterrorist-center-terrorist-buster-logo.html" target="_blank">Fonte</a>.</em></p>
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		<title>Nunca houve tantos escravos como na atualidade, diz pesquisador</title>
		<link>http://www.mondopost.com.br/2009/08/22/nunca-houve-tantos-escravos-como-na-atualidade-diz-pesquisador/</link>
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		<pubDate>Sat, 22 Aug 2009 17:21:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Enrique Villalobos</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[América Central]]></category>

		<category><![CDATA[América do Norte]]></category>

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		<category><![CDATA[Artigos / Opinião]]></category>

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		<category><![CDATA[escravidão]]></category>

		<category><![CDATA[slavery]]></category>

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		<description><![CDATA[
Na noite de 22 para 23 de agosto de 1791, a ilha de Santo Domingo (hoje Haiti e República Dominicana) assistiu ao começo de uma insurreição que teria um papel decisivo na abolição do tráfico transatlântico de escravos. Hoje, o 23 de agosto é comemorado pela Unesco como o Dia Internacional de Lembrança do Tráfico [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-1373" title="slavery" src="http://www.mondopost.com.br/wp-content/uploads/2009/08/slavery.jpg" alt="slavery" width="540" height="195" /></p>
<p>Na noite de 22 para 23 de agosto de 1791, a ilha de Santo Domingo (hoje Haiti e República Dominicana) assistiu ao começo de uma insurreição que teria um papel decisivo na abolição do tráfico transatlântico de escravos. Hoje, o 23 de agosto é comemorado pela Unesco como o Dia Internacional de Lembrança do Tráfico de Escravos e sua Abolição.</p>
<p>Sobre este assunto, a Deutsche Welle entrevistou o jornalista norte-americano Benjamin Skinner, autor do livro <strong>A Crime So Monstrous: Face-To-Face with Modern-Day Slavery</strong> (Um crime tão monstruoso: face a face com a escravidão hoje). O professor do <em>Carr Center for Human Rights Policy da Harvard Kennedy School</em> adverte que escravos hoje são muito mais baratos do que em qualquer outro momento da história da humanidade.</p>
<p>Deutsche Welle: <em>A escravidão é um fato do passado?</em></p>
<p>Benjamin Skinner: Com certeza, não. Embora existam mais de 300 tratados internacionais e mais de uma dúzia de convenções universais exigindo o fim da escravidão e do comércio de escravos, este ainda é um problema que desafia o mundo moderno. Pessoas e nações presumem que a lei seja suficiente para erradicar o comércio, mas não é. A abolição legal é um primeiro passo necessário, mas a abolição real requer a aplicação rigorosa dessa lei para perseguir os traficantes e proteger e reabilitar as vítimas.</p>
<p><em>Quantos escravos existem hoje no mundo?</em></p>
<p>Como a escravidão é ilegal em qualquer parte do mundo, os traficantes escondem suas vítimas, temendo as autoridades. Em qualquer país, escravos são uma população oculta. Mas as estimativas mais amplamente aceitas apontam que haja entre 12,3 milhões e 27 milhões de escravos.</p>
<p><em>E em números relativos, em comparação com o passado?</em></p>
<p>Há mais escravos hoje do que em qualquer outro momento da história da humanidade. Mas, por mais deprimentes que sejam os números absolutos, podemos encontrar certo consolo no fato de a porcentagem de escravos na população mundial ser hoje menor. Os três grandes movimentos abolicionistas do passado de fato trouxeram progressos. Mas ainda há muito a ser feito neste quarto e último.</p>
<p><em>O que caracteriza a condição de escravo?</em></p>
<p>Escravos são pessoas forçadas a prestar um serviço, mantidas ilegalmente e ameaçadas com violência, sem pagamento e em esquema de subsistência. São pessoas que não podem fugir de seu trabalho.</p>
<p><em>Que tipo de trabalho eles fazem hoje em dia?</em></p>
<p>São usados em todos os ramos da indústria, da agricultura e do setor de serviços. A maioria é forçada a trabalhar para quitar uma dívida, em muitos casos herdada de um ancestral. Todo ano, centenas de milhares são forçados a cruzar fronteiras internacionais para executar trabalhos domésticos ou manuais, também como pedintes, ou se tornam vítimas de prostituição forçada. Crianças são obrigadas a lutar em guerras civis brutais; homens e mulheres, espoliados e obrigados a produzir componentes de produtos de consumo que você talvez tenha em casa. A escravidão está em todo e em nenhum lugar.</p>
<p><em>Que motivos levam hoje à escravidão?</em></p>
<p>As circunstâncias de cada escravo são diferentes, claro, mas há temas recorrentes. Em primeiro lugar, escravos tendem a vir de comunidades profundamente empobrecidas e socialmente isoladas. Tendem a ser jovens, do sexo feminino, com acesso restrito a educação e saúde, e sem qualquer acesso ao crédito formal. Também costumam viver em áreas onde o domínio da lei é fraco e criminosos podem tirar vantagem de sua vulnerabilidade  e isolamento para lucrar.</p>
<p><em>Que países e regiões possuem o maior número de escravos?</em></p>
<p>O sul da Ásia em geral – e a Índia, em particular – possui mais escravos do que todo o resto do mundo junto. A abolição do trabalho escravo na Índia, assim como a do sistema de castas, continua sendo uma promessa não cumprida. Nos níveis estaduais e distritais, bem como nos panchayats [sistema político indiano que agrupa quatro vilas em volta de uma vila central], a boa intenção das leis nada significa para os milhões de pessoas forçadas a trabalhar para pagar uma dívida que, em muitos casos, foi feita gerações antes.</p>
<p><em>E na América Latina?</em></p>
<p>Há centenas de milhares, talvez milhões de escravos na América Latina. O Haiti tem umas 300 mil crianças escravas. Ofereceram-me uma por 50 dólares numa rua de Porto Príncipe, a cinco horas de distância da minha casa em Nova York. Dezenas de milhares são traficadas da América Central e do México para localidades mais ao norte. Nos Estados Unidos, a maior parte dos escravos é mexicana ou foi traficada através do México.</p>
<p>Ironicamente, o Brasil, um dos últimos países a abolir formalmente a escravidão, é hoje um dos mais proativos no combate ao tráfico. Equipes móveis de inspeção do Ministério brasileiro do Trabalho resgatam cerca de 5 mil escravos por ano. Mas infelizmente eles não recebem aconselhamento ou proteção adequados, e dá para contar nos dedos de uma mão quantos criminosos foram condenados. Ou seja, quase a metade dos escravos resgatados volta ao regime escravo. Ainda há muito a ser feito na região.</p>
<p><em>Qual o papel do Estado em países onde existe escravidão?</em></p>
<p>A escravidão existe onde os Estados são fracos ou corruptos, mas ela também pode ser usada por regimes autoritários como forma de controlar a população. Por exemplo, no Sudão, onde o governo do norte armou e encorajou as milícias a escravizar durante uma guerra civil de 22 anos. Ou em Mianmar, onde o governo impõe o regime de corvéia à população rural.</p>
<p><em>É sabido que, em certos países, é possível libertar um escravo pagando por ele. Algumas organizações fazem isso. Você considera este um caminho válido?</em></p>
<p>Certamente não. Por mais que comprar a liberdade de um escravo faça o comprador se sentir bem, essa prática, na melhor das hipóteses, dá margem à corrupção. Na pior delas, incentiva o comércio com a miséria humana.<br />
<em><br />
Quanto custa um escravo hoje?</em></p>
<p>Escravos hoje são mais baratos do que nunca. Presenciei negociações de venda em quatro continentes e recebi ofertas de 45 dólares na África do Sul até cerca de 2 mil dólares (na verdade, tratava-se da troca por um carro usado) na Romênia. Com mais de 1,1 bilhão de pessoas subsistindo com menos de um dólar por dia, a oferta de potenciais escravos é praticamente ilimitada.</p>
<p><em>Quais são as consequências tardias da escravidão nas sociedades em que ela existiu, como nos EUA e na América Latina?</em></p>
<p>Países que falham em lembrar que a escravidão é um compromisso vivo estão condenados a viver em insegurança e desigualdade, e em meio a atividades criminosas. Mas aqueles que se encarregarem da difícil tarefa de eliminar a escravidão serão recompensados com sociedades mais prósperas e pacíficas. O que me lembra as palavras de Maya Angelou: &#8220;<strong><em>A história, por mais dolorosa, não pode ser &#8216;desvivida&#8217;. Mas, se enfrentada com coragem, não precisa ser revivida</em></strong>&#8220;.</p>
<p>Autor: Pablo Kummetz</p>
<p>Revisão: <a href="http://www.dw-world.de/dw/article/0,,4589344,00.html?maca=bra-rss-br-all-1030-rdf" target="_blank">Roselaine Wandscheer</a></p>
<p><em>Imagem: <a href="http://www.flickr.com/photos/quettabalochistan/2986608888/" target="_blank">Fonte</a>.</em></p>
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		<title>Obama já discursou para árabes, iranianos e turcos, mas ignorou Israel</title>
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		<pubDate>Fri, 31 Jul 2009 16:49:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Marquine</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Artigos / Opinião]]></category>

		<category><![CDATA[Oriente Médio]]></category>

		<category><![CDATA[Política Internacional]]></category>

		<category><![CDATA[israel]]></category>

		<category><![CDATA[obama]]></category>

		<category><![CDATA[oriente médio]]></category>

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Barack Obama discursou no Cairo para o mundo islâmico e, acima de tudo, para os árabes. Deu entrevista, pouco depois de tomar posse, para a rede de TV Al Arabyiah. Os iranianos receberam uma mensagem de afeto durante uma celebração persa. O presidente ainda visitou a Turquia, de maioria islâmica, apesar de ser um regime [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img alt="" src="http://www.mondopost.com.br/wp-content/uploads/2009/06/obamaspeech.jpg" class="alignnone" width="540" height="195" /></p>
<p>Barack Obama discursou no Cairo para o mundo islâmico e, acima de tudo, para os árabes. Deu entrevista, pouco depois de tomar posse, para a rede de TV Al Arabyiah. Os iranianos receberam uma mensagem de afeto durante uma celebração persa. O presidente ainda visitou a Turquia, de maioria islâmica, apesar de ser um regime secular.</p>
<p>No Oriente Médio, só faltam os judeus e algumas minorias como a curda. Iranianos, turcos e árabes puderam escutar o que Obama tinha a dizer. Mas, conforme salientou Aluf Benn, colunista do Haaretz, em artigo publicado no New York Times, o presidente dos Estados Unidos ainda não se dirigiu para Israel. Apenas se encontrou com o premiê Benjamin Netanyahu e cobrou o congelamento dos assentamentos. O problema é que não fez um discurso para os israelenses dizendo seus objetivos para alcançar a paz e – importantíssimo para Israel – a segurança, especialmente em relação à ameaça iraniana.</p>
<p>Esta omissão leva os israelenses, de todo o espectro político, a imaginar que Obama, na sua tentativa de se aproximar do mundo islâmico, deixará o Estado judaico isolado. Para os israelenses, isso é muito grave. A percepção em Tel Aviv e Jerusalém Ocidental é de que a comunidade internacional e a imprensa – inclusive americana – possui um viés pró-palestino. A única segurança deles era o governo dos EUA, que, na visão de Israel, agora também pende para o lado árabe na administração de Obama.</p>
<p>Caso não se dirija aos israelenses e explique exatamente o que quer, Obama isolará a mais fundamental peça em qualquer acordo de paz. Sem Israel, não há paz. E os contrários à paz apenas poderão se fortalecer, com o presidente dos Estados Unidos sendo alvo de ataques racistas.</p>
<p>Não seria complicado organizar uma visita para Israel. Já que almeja tanto a paz, Obama deveria visitar Tel Aviv, para ver a cidade mais avançada do Oriente Médio; Jerusalém, pare tentar entender se dá ou não para dividir; Haifa, para observar os resquícios de uma convivência pacífica; Nazaré, para conhecer melhor a vida dos árabes-israelenses; o Golan ocupado ilegalmente, para verificar a frente síria do conflito; e, claro, assentamentos judaicos na Cisjordânica, Ramallah, Hebron e Nablus. Por questões de segurança, dá apenas para entender que o presidente não visite Gaza. Mas o resto seria obrigação dele. Obama não pode perder Israel. Não adianta puxar-saco na época da eleição para ter o voto judaico. Precisa manter a aliança e o respeito quando assume a Presidência.</p>
<p>Autor: <a href="http://blog.estadao.com.br/blog/chacra/?title=obama_ja_discursou_para_arabes_iranianos&#038;more=1&#038;c=1&#038;tb=1&#038;pb=1">Gustavo Chacra</a></p>
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		<title>Fuga de Caracas</title>
		<link>http://www.mondopost.com.br/2009/07/29/fuga-de-caracas/</link>
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		<pubDate>Thu, 30 Jul 2009 01:29:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mr. X</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[América do Sul]]></category>

		<category><![CDATA[Artigos / Opinião]]></category>

		<category><![CDATA[comunismo]]></category>

		<category><![CDATA[desigualdade social]]></category>

		<category><![CDATA[socialismo]]></category>

		<category><![CDATA[Venezuela]]></category>

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Enquanto ainda há quem cante os louvores da União Soviética, um curioso fato permanece: não há nem jamais houve um único país comunista ou socialista para o qual as pessoas desejassem imigrar. Ao contrário: o movimento populacional é sempre de dentro para fora, ou seja, dos habitantes do &#8220;paraíso socialista&#8221; tentando escapar, muitas vezes arriscando [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-1298" title="socialism" src="http://www.mondopost.com.br/wp-content/uploads/2009/07/socialism.jpg" alt="socialism" width="540" height="195" /></p>
<p>Enquanto ainda há quem cante os louvores da União Soviética, um curioso fato permanece: não há nem jamais houve um único país comunista ou socialista para o qual as pessoas desejassem imigrar. Ao contrário: o movimento populacional é sempre de dentro para fora, ou seja, dos habitantes do &#8220;paraíso socialista&#8221; tentando escapar, muitas vezes arriscando a própria vida.</p>
<p>Isso é verdadeiro ainda hoje. Leio uma interessante <a href="http://www.elpais.com.uy/090726/pinter-431967/americalatina/chavez-desato-la-fuga-de-cerebros" target="_blank">notícia</a> sobre a &#8220;fuga de cérebros&#8221; da Venezuela em direção a outros países, como EUA, Colômbia e até Panamá. As pessoas mais qualificadas - e toda a classe média em geral - está há tempos abandonando o barco em direção a ambientes menos hostis. É o dilema de todo regime socialista: como manter no país os competentes que produzem riqueza e inteligência? A mesma notícia informa que Chávez demitiu a maioria dos profissionais mais experientes da PDVSA (empresa petrolífera venezolana), colocando em seu lugar marionetes marxistas. A produção diária de petróleo caiu em mais de um terço. Não é difícil adivinhar, em poucos anos, a decadência do regime chavista.</p>
<p>Para os ingênuos radicais esquerdistas, os Idelberes e Tiagos da vida, sempre apoiando causas equivocadas, essa é uma boa notícia: finalmente a maldita classe média vai embora, deixando que o Governo possa cuidar exclusivamente do Povo.</p>
<p>O que eles não entendem é que o Povo é um só. Não existe &#8220;luta de classes&#8221;. O maior erro do marxismo é separar as pessoas em categorias econômicas estanques, como se ser &#8220;proletário&#8221; ou &#8220;burguês&#8221; fosse algo determinado geneticamente.</p>
<p>Nunca entendi muito bem o ódio dos esquerdistas à classe média. Afinal, o sonho de todo pobre é ser de classe média, o sonho de todo proletário é ser burguês. E esse movimento de ascenção social sempre ocorre em um sistema político mais natural, não baseado na hedionda utopia &#8220;igualitária&#8221;.</p>
<p>O socialismo, ao contrário, costuma manter os pobres na &#8220;pureza&#8221; da falta de dinheiro ou alimentos. Para os seguidores dessa bizarra religião fantasiada de ideologia política, ser pobre é ser mais puro.</p>
<p>Os socialistas são <a href="http://www.witnit.org/archives/2009/03/lets_talk_paras.php" target="_blank">parasitas</a> que nem mesmo compreendem que, ao matar seu hospedeiro, irão logo morrer também.</p>
<p><em>A discussão continua em <a href="http://blogdomrx.blogspot.com/2009/07/fuga-de-caracas.html" target="_blank">Blog do Mr X</a>.</em></p>
<img src="http://www.mondopost.com.br/?ak_action=api_record_view&id=1295&type=feed" alt="" />]]></content:encoded>
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		<title>A voz silenciada</title>
		<link>http://www.mondopost.com.br/2009/07/23/a-voz-silenciada/</link>
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		<pubDate>Thu, 23 Jul 2009 17:49:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mário Machado</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Artigos / Opinião]]></category>

		<category><![CDATA[Conflitos Armados]]></category>

		<category><![CDATA[Oriente Médio]]></category>

		<category><![CDATA[Ásia-Pacífico]]></category>

		<category><![CDATA[Irã]]></category>

		<category><![CDATA[Neda]]></category>

		<category><![CDATA[revolução]]></category>

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Há ocorrências na vida real que fazem a ficção parecer pouco imaginativa. O assassinato da bela jovem iraniana Neda, foi divulgado viralmente por toda internet, a mistura de horror e curiosidade mórbida ajudou a divulgar o chocante vídeo. Para a maioria das pessoas é muito raro assistir o exato momento em que a vida cessa, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-1271" title="neda-kreuz" src="http://www.mondopost.com.br/wp-content/uploads/2009/07/neda-kreuz.jpg" alt="neda-kreuz" width="540" height="195" /></p>
<p>Há ocorrências na vida real que fazem a ficção parecer pouco imaginativa. O assassinato da bela jovem iraniana Neda, foi divulgado viralmente por toda internet, a mistura de horror e curiosidade mórbida ajudou a divulgar o chocante <a href="http://www.youtube.com/watch?v=bbdEf0QRsLM" target="_blank">vídeo</a>. Para a maioria das pessoas é muito raro assistir o exato momento em que a vida cessa, ainda mais daquela forma tão efêmera, tão à toa, e com todos aqueles celulares morbidamente filmando (cá entre nós, eu não conseguiria continuar filmando).</p>
<p>Além de sua juventude e beleza, o que chama a atenção é que a tradução do significado do nome Neda é “voz”, o que ajuda a construir o mito, o símbolo, que está para esse início de século, como aquele <a href="http://www.mondopost.com.br/2009/06/05/protesto-na-praca-da-paz-celestial-20-anos-depois-galeria-de-imagens/" target="_blank">homem</a> franzino de camisa branca, gravata e pasta que parou uma coluna de tanques na Praça da Paz Celestial, esteve para o final do século passado.</p>
<p>Escrevi aqui que há algo de desumano nesse processo de transformação em ícone, há algo de muito desagradável para mim, transformar a morte dessa jovem no símbolo de uma causa, uma causa indefinida, que muitos querem que seja a causa da liberdade e democracia no Irã, ou a causa da revolução de um outro mundo possível. Ou qualquer outra coisa assim, e vão a transformando em mito, em símbolo, e lhe retiram a humanidade, lhe dão uma voz de heroína, mas nada muda o fato de que sua voz foi extirpada da terra injustamente.</p>
<p>Injustamente como milhões, ouso dizer bilhões de outros jovens que derramaram, derramam e derramarão seu sangue, por convicção de suas causas, por obrigação, pra se defender ou para atacar os outros. São chamados de mártires. São heróis, vítimas, algozes, vilões ou soldados desconhecidos. Rótulos, que servem a causas, mas não servem para descrever a barbárie em que vivemos. Porque, sem sombra de dúvida, a voz que faz falta para a família não é a voz da revolução, mas a de Neda, seus maneirismos, suas esperanças, tudo que ela poderia ou não ter sido.</p>
<p>Tenho uma convicção de que quando não levamos em conta o fator humano, as pessoas e o impacto das ações na vida das pessoas, perdemos parte de nossa humanidade, não obsta quão nobre acreditemos que são nossos passos, daí mesmo a sabedoria popular dizer que de boas intenções o inferno está cheio.</p>
<p>Analisar as relações internacionais é, sem dúvida, analisar coletividades, sociedades, traços gerais e ações de atores relevantes. As teorias os transformam em entes racionais, em entidades sistêmicas, como partículas numa molécula. Isso nos ajuda a entender, mas não podemos perder de vista as pessoas. Isso quer dizer que eu acredito que devemos fazer ciência social para mudar a realidade? Não. Quer dizer que temos responsabilidades com a humanidade, com a nossa própria humanidade. Isso não pode ser jamais esquecido, teorias e ideologias não podem nos cegar ao ponto de achar que a vida não é o máximo valor a ser preservado.</p>
<p>As idéias podem até mesmo viver mais que as pessoas, mas é uma questão do que vem primeiro, o ovo ou a galinha, nesse caso é bem mais fácil, mesmo sendo imateriais e imortais as idéias são gestadas pelas pessoas, uma prova a mais do valor da vida humana e da tragédia, que é a perda. Não tenho ilusões, milhares de vidas são perdidas a todo o momento, sem motivos e com motivos. Tudo isso é uma realidade que acredito ser imutável, algo que está na natureza humana, nós somos criativos em novos meios e justificativas para nos matar, mas não custa nada ter a esperança de que possamos, ao menos, minimizar a quantidade de sangue perdido, ainda mais sobre ilusões utópicas ou atos gratuitos de violência.</p>
<p>De todo modo a morte daquela jovem ficará na minha mente, não como símbolo de uma geração que clama por liberdade, ou símbolo da ignorância e intolerância daqueles que se encastelam no poder, mas sim como marca de como viver é um verbo transitório, ainda que a gramática não corrobore isso.</p>
<p>Politicamente todos esses episódios revelaram uma oposição existente no Irã, mas até agora o grosso dessa oposição é interna ao regime, pretende mantê-lo com alguma variação e no final tudo se mantêm como estava. O regime parece começar a decair, mas não há como antever o ritmo dessa queda, nem que tipo de reformação política haverá, ainda mais porque a sociedade iraniana é antiga, sofisticada e não a invenção de regimes colonialistas. Como analista, também nos cabe evitar ver o mundo como uma batalha entre bem e o mal, por que é no cinza dessa luta de sombras e luz que quase todos nós vivemos.</p>
<p><em>Imagem: Neda Kreuz.</em></p>
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		<title>A quem interessa o sangue?</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Jul 2009 17:13:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mário Machado</dc:creator>
		
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		<category><![CDATA[Artigos / Opinião]]></category>

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		<category><![CDATA[Honduras]]></category>

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As negociações que visavam um acordo político para crise hondurenha, intermediada pelo Prêmio Nobel da Paz 1987, Oscar Arias, Presidente da Costa Rica (que ganhou intermediando o fim das guerrilhas na região), naufragou. Não chegou a ser uma surpresa, afinal todos os analistas viam a indisposição em negociar e exigências sabidamente inaceitáveis. Quem acompanha negociações [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-1267" title="hugo-chavez" src="http://www.mondopost.com.br/wp-content/uploads/2009/07/hugo-chavez.jpg" alt="hugo-chavez" width="540" height="195" /></p>
<p>As negociações que visavam um acordo político para crise hondurenha, intermediada pelo Prêmio Nobel da Paz 1987, Oscar Arias, Presidente da Costa Rica (que ganhou intermediando o fim das guerrilhas na região), naufragou. Não chegou a ser uma surpresa, afinal todos os analistas viam a indisposição em negociar e exigências sabidamente inaceitáveis. Quem acompanha negociações internacionais, sabe quando se força a ruptura de uma negociação, afinal é muito fácil para qualquer diplomata de carreira saber em que pontos rupturas são inevitáveis, portanto, posso dizer que foram negociações de má-fé, onde as partes não se propuseram a negociar de fato.</p>
<p>É preciso saber que desde os primeiros momentos da crise e logo após a deposição, a Igreja Católica, por meio de seu Colégio Episcopal em Honduras, ofereceu seus bons ofícios, procurando acalmar os ânimos, prevenir violência e encontrar uma saída negociada. Inclusive um Bispo chegou a pronunciar na televisão a pedir calma e discernimento de Zelaya, e que ele não retornasse se as condições políticas assim permitissem. Por que o Bispo fez isso? Por ser golpista conservador? Ou por medo que a polarização política, somada a clara e notória infiltração de manifestantes sandinistas e venezuelanos, culminasse em violência e desperdício de vidas?</p>
<p>Não deu outra. As manifestações no aeroporto cobraram seu preço em sangue. O presidente deposto e seus apoiadores agora têm um mártir, uma prova indelével da natureza boçal e violenta do novo governo. Bem, pelo menos para motivos de propaganda, serviu o desperdício de uma alma jovem, que de verdade só sua família e amigos vão prantear, sentir falta e lembrar quando a poeira assentar. Não há provas que ele tenha sido assassinado por armas do exército, mas mesmo que tivesse, dividem essa conta macabra os que coordenavam a operação no aeroporto e os que instigavam pessoas comuns, contra soldados treinados e armados. Afinal, qual é sempre o resultado de pessoas sem armas enfrentando pessoas com armas?</p>
<p>Ora, então os seguidores de Zelaya têm que engolir a seco a deposição dele, sem direito a reclamar? Claro que não, mas os que estão a frente disso têm uma obrigação ética e moral de fazer com que essas demonstrações sejam pacificas, seja a via escolhida, passeatas, desobediência civil, greves gerais. Qualquer uma das muitas alternativas não confrontacionais. Por que digo isso? Porque o clima está pesado, os ânimos acirrados e a chance de que as forças de segurança e manifestantes percam o controle é enorme. Evidentemente cabe ao regime conter os ânimos das forças de segurança, garantindo a ordem pública dentro dos ditames do império da lei.</p>
<p>Mas até agora só relatei o óbvio, nada de especial e nem toquei no cerne da questão-título desse texto, a não ser de maneira indireta.</p>
<p>Qual tem sido a tônica desde o dia 1° dessa crise? A coesão e unanimidade internacional na condenação ao golpe e com uma linguagem bastante inflamada exigindo, com ultimatos e ameaças a recondução do presidente deposto a seu cargo, sem qualquer tipo de negociação com o governo, sempre tratado pelos diplomatas do continente como golpista nas suas intervenções na mídia. Ora, é claro, para qualquer pessoa com meio cérebro que uma deposição com apoio da justiça, do parlamento e dos militares só é possível quando o deposto não tem mais nenhuma condição de governabilidade. Ainda mais porque, como vimos pelas imagens, o povo hondurenho está dividido, tendendo em sua maioria a apoiar a deposição, portanto não vimos em Honduras nem sombra das manifestações vistas no Irã (onde por sinal o aparato de repressão é bem mais agressivo e conta com simpatia dos que querem a volta imediata de Zelaya).</p>
<p>Também, é claro para quem tem meio cérebro, que a única saída satisfatória para essa crise é uma negociação que culmine em novas eleições, antecipadas (já que seria esse ano de qualquer maneira). Portanto o que motiva tanta resistência a negociar uma saída? Será uma questão pessoal de Zelaya, que por já ter sido presidente não pode nem cogitar a se candidatar de novo segundo a constituição hondurenha?</p>
<p>Ou há algo mais profundo? Seria a resistência motivada por governos da região que temem que quarteladas voltem a ser prática comum na região? Mas, então simplificaríamos muito a questão, já que os militares não tomaram o poder e sim agiram de acordo com a Constituição e ainda justificam sua ação de retirada de Zelaya do país para evitar confrontos e violência. Um argumento um pouco esticado, mas não deixa de ter suporte lógico.</p>
<p>Por que a resistência ao golpe fosse fruto de uma frente pró-democracia unânime no continente, os principais atores da questão, não fomentariam relações com ditaduras longas e comprovadas, tais como Cuba? Ou para esses líderes subverter as regras democráticas só é grave quando é levado a cabo por não-membros de sua Aliança ou Alternativa?</p>
<p>A questão transcendeu as esferas da América Central, porque indubitavelmente demonstra a primeira resistência contundente ao mecanismo chavista, sendo este, inclusive, apontado como pivô da crise, já que o líder deposto passou a ser visto como um títere de Caracas. E é ele, Hugo Chávez, quem conduz a reação mais inflamada à deposição. Ele também, tem fornecido transporte para Zelaya, com jatinhos da poderosa PDVSA. Honduras pode se tornar o “Rubicão do César Bolivariano”, porque se suas legiões o cruzarem, sua alternativa ganha momento, ganha força e prestigio, já que sairia vitorioso na tal batalha moral, sairia como defensor da democracia. Ele que já liderou um golpe frustrado, antes de tomar um igualmente frustrado.</p>
<p>Isso explica porque desde o primeiro minuto da crise o Presidente Chávez violou uma regra da diplomacia ao interferir em assuntos internos de outros povos, ainda mais, por que clamava “aos patriotas hondurenhos a lutar”, ou seja, além de intervir em assuntos internos ainda o fez incentivando a violência, a desordem. E foi ainda mais além com bravatas dignas dele mesmo ao cogitar intervir militarmente para recolocar o presidente deposto. Pergunto-me qual diferença deste comportamento a tese de exportação da democracia, mesmo que a força da era Bush? (algum leitor chavista, se eu os tiver, consegue explicar?). Outra questão, não era esse mesmo presidente que achava absurda a violação territorial? Lembram, quando a Colômbia atacou uma base das FARC em território equatoriano matando um dos líderes da guerrilha (ou narco-guerrilha, diriam alguns)?</p>
<p>A prudência sempre foi apontada na literatura como uma característica desejável em um estadista. Mas nesse caso temos visto que interesses que em nada tem de alinhando com valores como democracia, ou com interesses do povo hondurenho. Esses interesses são de projetos geopolíticos e ideológicos. Isso explica por que não há, por parte desses atores, preocupação com o bem estar do povo hondurenho.</p>
<p>Digo isso porque ao conclamar o povo a insurgência, o presidente deposto, sabe que o resultado disso será medido em litros de sangue derramado nas ruas. Ainda mais numa região que sofreu tanto com guerras civis e que tem problemas de criminalidade urbana gravíssima, que pode sair do controle com o Estado esticando suas forças para lutar contra uma insurgência, ainda mais porque há a real e concreta possibilidade de saída tranqüila, institucional e democrática para crise, que é a via das urnas.</p>
<p>Afinal, quem tem ojeriza a golpes deveria jubilar-se com a possibilidade de que uma eleição livre, devidamente acompanhada por observadores estrangeiros e de acordo com as regras vigentes. E não conclamar o povo a insurreição, a violência e inevitavelmente a morte. É fácil louvar aos mártires e heróis quando não são seus filhos e filhas, pais e mães, irmãos e irmãs, maridos e esposas, os que vão cair ou ser estadista de danos colaterais, numa situação em que a resolução pacifica é tão palpável.</p>
<p>Creio ser irresponsável e desesperado esse movimento, o digno de um democrata seria convocar manifestações pacíficas, mas por esta via é preciso uma maioria. E esse foi o erro de cálculo primordial, o tamanho do respaldo popular em Honduras. E o interino Micheletti demonstrando, talvez, demagogicamente que não tem desejo de manter o poder, afirmou que pode renunciar, com a condição do não retorno de Zelaya, o que reitera que não há condições de governabilidade para “Mel” Zelaya.</p>
<p>E quem lucra com o sangue nas ruas? Na minha humilde opinião não é um regime de um país pequeno e isolado. São as grandes causas “humanistas-progressivas” salvadoras que precisam de mártires para angariar apoio popular e desgastar o governo interino.</p>
<p>E para você meu leitor, vale mais uma ideologia ou uma vida humana? E a quem interessa o sangue? (Michelleti? Zelaya? Chávez?)</p>
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