
Na eminência de um conflito regional, de uma guerra ou de qualquer evento que possa vir ameaçar a segurança de um Estado, diversos componentes das Relações Internacionais são trazidos à tona. A intenção deste artigo visa mostrar aos leitores que desconhecem tais componentes, alguns dos principais pontos que se tornam prioritários para um ator internacional no que concerne à sua segurança enquanto soberano perante o sistema internacional. Algo que deve ser dito é que no campo das Relações Internacionais, muitas das vezes as temáticas que o cercam divergem-se de tal forma que as esferas de competências se misturam. Analistas de Relações Internacionais, analistas de Segurança Internacional, militares e estrategistas ilustram a distribuição de poder tão comentada no ambiente internacional.
Com base no famoso militar prussiano Carl Von Clausewitz (1780-1831) o fenômeno da guerra é composto por três elementos: o político, o tático e o estratégico. Para Clausewitz, o elemento da política se caracteriza pelas considerações e decisões relativas à guerra, e aos seus propósitos políticos, ou seja, como usar a guerra ou não para atingir determinado objetivo político. O elemento da tática trata das considerações no que diz respeito ao emprego do uso da força (física e moral). Por fim, o elemento estratégico trata daquilo que é relativo aos meios utilizados para a produção dos objetivos específicos de um determinado conflito. Através destes elementos podemos aplicá-los nos combates passados e atuais para poder compreender melhor a doutrina de pensamento de cada Estado e assim perceber as diferenças das escolas de guerra e suas respectivas maneiras de conduzir um Estado durante um conflito.
Estamos no ano de 2009 e a prática do uso da força se faz cada vez mais presente no cenário internacional. Conflitos no oriente médio, em territórios asiáticos e em regiões da américa central nos faz voltar à teorias passadas das Relações Internacionais para compreender a dinâmica desse fenômeno. De acordo com Thomas Schelling (1966) nas suas obras Strategy of Conflitc e Arms and Influence, a distinção entre diplomacia e força não é somente quanto aos instrumentos, palavras e munições, mas na relação entre adversários – na interação dos motivos e no papel da comunicação, entendimentos, compromissos e constrangimentos. Na diplomacia cada um controla parte do que o outro quer e pode conseguir mais por compromissos, trocas, ou colaborações mais do que tomando e ignorando o desejo do outro. O que se deve entender é que existem diferenças entre tomar o que se quer e fazer alguém dar a você o que você deseja. A pura ambição de fazer uso da força militar evidencia muitas das vezes que o desejo está mais para ferir o adversário do que atingir os reais interesses. O uso da violência na guerra pode ser deixado para trás. Ao mostrar ameaças e não deixando alternativas para um caminho um Estado deixa de lado todo um poder que poderia ser usado: A Coerção. A coerção por ameaça de violência também requer que os nossos interesses e do oponente não sejam absolutamente antagônicos. O ato do uso da coerção requer, por sua vez, encontrar uma barganha, mostrar o que é melhor fazer e o que queremos, ao invés de não fazer enquanto o adversário leva em consideração o uso da penalidade. Para Thomas Schelling a guerra parece ser mais do que um teste de força, teste de resistência, nervo, obstinação e dor. A força bruta existe somente quando não há colaboração, e a violência é mais bem sucedida quando é ameaça e não quando é usada. Devemos entender que a violência pura, violência não militar parece mais auspiciosa na relação entre países não iguais, onde não há nenhum desafio substancial e o resultado do engajamento militar não é a questão principal.
As atuais ameaças norte-coreanas de armas nucleares ilustram um ponto muito importante na temática das Relações Internacionais. Na verdade, essas ações de testes de mísseis por parte da Coreia do Norte não diferem - no que diz respeito à dinâmica de um conflito – das ações de Estados que procuraram trazer à tona o poder militar de seu território e o desejo de mostrar este poder frente aos outros Estados no cenário internacional em épocas passadas. É interessante questionar, portanto, qual a diferença entre uma arma de grande potência nuclear e uma baioneta da primeira guerra mundial? A única diferença clara está no número de pessoas que elas podem eventualmente matar e na velocidade que isso pode ocorrer. As armas nucleares podem tornar possível um desencadeamento de uma violência monstruosa ao inimigo sem atingir primeiro a vitória. Após a existência de duas grandes guerras, com as armas nucleares e os meios de render-se é possível penetrar no território inimigo sem mesmo colapsar sua força militar. Desta forma, as armas nucleares ameaçam transformar a guerra em algo menos militar, levando-nos a conclusão de que ao invés de destruir as forças inimigas como prelúdio para impor sua vontade sobre a nação inimiga, destrói-se a nação como meio ou um prelúdio para destruir as forças do inimigo. Onde em épocas anteriores os nãocombatentes eram considerados como não sendo alvos, hoje tal fenômeno da guerra e da armas nucleares podem levar esses não-combatentes a serem alvos para se alcançar um determinado fim político.
Portanto, a guerra e ameaça da guerra devem ser vistas como meios de influência e não de destruição. E assim, o melhor caminho em uma dinâmica de conflito, é mostrar alternativas e caminhos que levam para o uso da diplomacia da barganha, do que fazer uso da estratégia militar em um sentido estritamente da diplomacia da violência.
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seg, 20 jul, 2009
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