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O risco eterno de uma democracia sem lembranças

sáb, 11 jul, 2009

Artigos / Opinião, Colunas

democracia

Será que o povo gosta mesmo de democracia, ou prefere um “homem forte”? Será que a democracia é para sempre, ou é um sistema naturalmente instável, eternamente sujeito a crises temporárias? Será que a democracia é um bem em si mesmo, ou apenas um método que permite tanto bons quanto maus governos? Será que se aperfeiçoa com o tempo, ou carrega em si o germe da sua própria destruição? Afinal, antes do nazismo havia democracia na Alemanha. Antes do comunismo em certos países havia democracia. Não foram os mesmos “democratas” os que apoiaram um e outro regime, ou foi algum outro povo, saído do subterrâneo da Terra? E, no entanto, após o fim de nazismo e comunismo, a coisa mais difícil do mundo era encontrar um ex-nazista ou um ex-comunista. De repente, todos haviam virado “democratas”, críticos virulentos da tirania anterior. Os verdadeiros nazistas e comunistas haviam retornado ao seu refúgio no subterrâneo do planeta…

Mas eis que basta muito pouco para que esse povo do subterrâneo retorne. Hoje em dia, por exemplo, notícias como a que 50% dos habitantes da ex-Alemanha Oriental desejariam a volta do comunismo - muitos deles jovens que mal viveram sob o regime - chamam a atenção. Do outro lado, o antisemitismo também ressurge na velha Europa que já exterminou a tantos judeus. E isso sem falar nas novas tiranias: assim como há poucos anos matou-se tanto em nome da “igualdade social”, eu, por exemplo, consigo facilmente antever uma tirania mundial matando e oprimindo milhões em nome da “ecologia”. Como disse C. S. Lewis, as piores tiranias são aquelas criadas pelos que só querem o nosso bem. A democracia e o próprio Estado de Direito são bem mais frágeis do que pensamos.

Eis o pertinentíssimo comentário do leitor DD, que julgo interessante republicar aqui:

Ninguém morre de amores pela democracia, como você supõe. Essa Sociedade Civil, tão robusta, é capaz de vender a sua adesão à democracia por qualquer coisa.

Por um prato de comida.

Por um frasco de estimulantes sexuais.

Por um empreguinho público.

Pela promessa de que o governo indicará um bode expiatório e o imolará depois.

O século mais democrático de todos os tempos também foi o mais tirânico. Agora, responda-me: o tipo de abuso cometido pelos Estados no século XX tem alguma coisa a ver com o que se passou antes? Não se deu com o envolvimento e a cumplicidade de sociedades inteiras? Não obrigou civis a pegarem em armas e fazerem as vezes de militares, mesmo sem o seu consentimento, como se fossem escravos da Pérsia dos Aquemênidas? Não doutrinou uma série de pessoas e destruiu suas consciências, talvez para sempre? Pode-se dizer que esse tipo de tirania foi o resultado dos que se opuseram à democracia, dos que não a compreenderam tão bem, dos “inadaptados” que queriam o retorno de um passado idílico? Ou, ao contrário, esses abusos sem paralelo possível na história humana foram cometidos, em sua esmagadora maioria, em nome de ideais e valores MODERNOS, muito próximos ou mesmo indistinguíveis daqueles que fundamentam a democracia? Você será louco o suficiente para negar que a tirania é como que a irmã gêmea da democracia e o seu risco perpétuo?

Via Blog do Mr X.

Imagem: Fonte.


Este post foi escrito por:

Mr. X - que escreveu 10 posts no MondoPost.

Colaborador do MondoPost. Autor do polêmico e excelente Blog do Mr. X.