Até alguns anos atrás a empresa americana Starbucks era pouco conhecida mundialmente, e possuía, dentro do território estadunidense, uma marca não muito tradicional no ramo do consumo de café. O consumo americano de café alterou-se de uma simples bebida do café da manhã para um produto de obsessão nacional, assim como é no Brasil. Seu atual presidente (e um dos principais responsáveis por essa mudança do consumo) é Howard Schultz, que afirma que uma das razões para o sucesso da Starbucks é a valorização do contato humano com funcionários e clientes.
A Starbucks surgiu em 1971 na cidade de Seattle, como uma pequena vendedora de grãos de café. Em 1983, durante uma viagem à Itália, Schultz entrou em contato com o conceito de Coffee Bar, algo muito tradicional nas cidades italianas à beira de ruas e avenidas. Sendo um apaixonado por café, Schultz fundou nos EUA a IL Giornale em 1985. Dois anos mais tarde, Schultz adquiriu a Starbucks, juntando seu conceito de coffee bar à produção de grãos da Starbucks, dando início a uma grande operação comercial. Podemos entender melhor o sucesso da empresa através do propósito da missão da organização onde a mesma afirma que é mais do que palavras em um pedaço de papel, é a filosofia que guia a maneira como fazem os negócios no dia-a-dia. O ponto alto da empresa é a sua divulgação. A organização não utiliza de meios tradicionais de propaganda, como comerciais e flyers.
Na visão de Schultz, os melhores embaixadores da marca são os funcionários, por isso torna-se imprescindível compartilhar o sucesso e as mesmas aspirações. A rede encontra-se, desde 1998, entre as 100 melhores empresas para se trabalhar nos EUA. Através desta maneira de gerir, sempre ao iniciar outra unidade em uma cidade diferente ou país diferente, a Starbucks não faz um marketing tradicional divulgando seu lançamento em rádios ou TVs. Ela procura criar uma expectativa na comunidade, além de reunir personalidades locais, mídias especializadas, chefs de restaurantes, entre outros. Através dessa reunião a propaganda inicia-se por meio do clássico boca-a-boca. Outra ferramenta bastante útil que a empresa utiliza é tornar o seu ambiente interno o mais interessante e agradável possível para seus clientes.
Com base nisso, a Starbucks procurou criar parcerias com outras grandes empresas, como a Pepsi, com o objetivo de criar novos produtos relacionados ao café, para distribuição em massa, incluindo bebidas frias feitas com café, em garrafa ou em lata; parceria com a TAZO® distribuidora de chás exóticos, os quais são vendidos nas lojas Starbucks norte-americanas; parceria com Hear Music, empresa que leva música à Starbucks; parceria com o The New York Times, único jornal nacional vendido em suas lojas; parceria com a Compaq Computer Corp., na implantação de acesso wireless à Internet na cadeia de cafeterias.
Vale ressaltar que cada nova unidade da Starbucks aberta é igual à primeira loja aberta em Seattle, em locais bem movimentados, mas mantendo sempre a forma tradicional de vender o café como seu principal meio de sucesso. O café da Starbucks não está presente somente nas lojas; ele é encontrado em companhias aéreas (parceria com a United Airlines), em navios de cruzeiros, hotéis, em livrarias, supermercados e na Internet (delivery). Para essa distribuição a Starbucks concede a essas empresas um treinamento específico, para mostrar como funciona a empresa e como fazer café com a qualidade exigida pela Starbucks. A primeira loja da empresa fora do território americano foi em Tóquio em 1995, e de lá até hoje são mais de 4000 mil lojas espalhadas pelo mundo, não vendendo somente café. A Starbucks é hoje um local onde se reúnem os amigos para passar o tempo, transformando o local em um novo ambiente para se tomar um café da manhã. A Starbucks soube trabalhar seu composto de marketing, criando uma marca líder internacionalmente. Suas lojas tornaram-se pontos de encontro e seus produtos símbolo de qualidade.
Temos, portanto, neste exemplo da Starbucks, um modelo para empresas brasileiras que aspiram iniciar atividades em territórios estrangeiros, mas também podemos juntar tal modelo à gestão dos governos nacionais, uma vez que a Starbucks procurou inovar e manter a relação entre funcionários e clientes como o carro-chefe da empresa, e isso pode ser aplicado na gestão de presidentes de vários países, aliando o povo ao governo de forma efetiva sem uso da força, transformando a população em sua principal divulgação para outros modelos de gestão.
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qui, 2 jul, 2009
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