Se em setores como os dos automóveis, instituições financeiras, construção civil e outros, sofreram um enorme revés no período de crise econômica, o mesmo não se pode afirmar sobre o setor cultural brasileiro. Neste primeiro semestre de 2009 diversas cidades brasileiras receberam diversos shows e espetáculos internacionais que antes, a grande maioria da população brasileira não sonhava em ver no seu país. E muito menos ter condições de ver essas performances ao vivo em suas cidades. Esse impulso alia-se ao fato de uma economia estável que não sofreu tanto com uma crise financeira e, especialmente, a profissionalização deste setor que deu maior credibilidade ao país para receber espetáculos de grande porte.
De acordo com reportagem da revista Exame Ed.945, a banda adolescente americana Jonas Brothers realizou dois shows no país (em São Paulo e Rio de Janeiro) no final de maio. A banda reuniu um total de 63 mil pessoas nos dois shows e movimentaram cerca de 5 milhões de reais em ingressos, além de mais 2 milhões de reais em patrocínios. É interessante lembrar que o país recebeu ainda nomes como Madonna e Elton John, o que nos leva a conclusão que certamente o país entrou na rota dos grandes artistas mundiais para seus shows, arrecadando cifras altíssimas com venda de ingressos, patrocínios e a geração de empregos diretos. Ainda de acordo com a reportagem, no ano passado, os brasileiros assistiram a 249 shows de astros e estrelas do pop internacional, quase o dobro do número registrado em 2007 e três vezes mais que em 2004.
É de consciência de todos que o Brasil não tem tradição em receber shows internacionais de grande porte, e realizar grandes festivais. Exceto os extintos Rock in Rio (negocia-se a volta do festival na cidade carioca para antes da copa de 2014) e Hollywood Rock, o país realizava poucos festivais com a presença de grandes nomes da música mundial. Contudo, assim como em outros setores da economia, a imagem do Brasil vai mudando e o país, aos poucos, transmite para o resto do mundo a imagem de um local propenso a investimentos, com grande capacidade
de realizar negócios globais, além de possuir uma economia estável. A revista ainda aborda que o Brasil entrou no circuito dos artistas internacionais pelas mesmas razões que têm levado as grandes multinacionais a adotar o país como prioridade para seus investimentos: o enorme potencial de consumo de seu mercado. Uma pesquisa internacional da consultoria Nielsen, que mede o grau de confiança do consumidor, realizada com 25 000 pessoas de 50 países entre março e abril de 2009, revelou que 50% dos brasileiros ouvidos pretendem usar os recursos excedentes após o pagamento de despesas essenciais em entretenimento fora de casa.
Bandas consagradas como Kiss, Radiohead e Iron Maiden também fazem parte deste novo grupo de megashows realizados em terras brasileiras, que comprovam a entrada efetiva do Brasil na rota das grandes bandas. Além da arrecadação com ingressos e patrocínios, os produtores de shows de grande porte arrecadam ainda com a venda de objetos oficiais das bandas, que leva os fãs para mais perto da banda, uma vez que a lotação sempre é máxima nesses shows (como foi o Kiss em São Paulo e Rio de Janeiro que levou 52 mil pessoas e a banda inglesa Iron Maiden, que passou por 5 cidades brasileiras, levando um total de 164 mil pessoas ao shows da banda de heavy-metal). A recente passagem do Brasil à primeira divisão dos grandes shows globais é resultado ainda de outro fenômeno - a radical mudança no setor de música. Os downloads de música pela internet tornam a venda de CDs uma atividade cada vez menos rentável para gravadoras e artistas. A compensação financeira vem sob a forma de turnês mais ousadas, caras e extensas. “A realização das megaturnês permitiu aos artistas encontrar um modelo de negócios que os torna cada vez menos dependentes das receitas com a venda de músicas gravadas”, diz Paulo Rosa, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Discos. Estima-se que, hoje, as turnês representem cerca de 60% do faturamento das bandas. As vendas de CDs e DVDs, os licenciamentos e os direitos autorais respondem pelos outros 40%. Até 2004, as proporções eram inversas.
Quando se fala em cifras, os megashows internacionais não chegam a impressionar. No ano passado, entre ingressos vendidos e patrocínios, foram 120 milhões de reais em faturamento. Mas a atividade tem crescido e atraído empresas profissionalizadas, como a Time For Fun (T4F), a maior do país, com operações no Chile e na Argentina. Nascida em 2007 com a aquisição da divisão do grupo mexicano CIE no Cone Sul pelo empresário Fernando Altério e
pelo fundo de investimento Gávea, de Armínio Fraga. A empresa tem uma divisão de vendas de ingressos, a Ticketmaster, e é dona de casas de espetáculos - Credicard Hall, Citibank Hall e Teatro Abril, em São Paulo, e Citibank Hall, no Rio de Janeiro. Graças à sua escala, a T4F tem conseguido promover na região alguns dos maiores shows do mundo. Desta forma, o Brasil não se mostra somente como um país que exporta samba, mas um território que importa shows de artistas renomados para as grandes cidades do país.
Imagem: Fonte.



















qua, 1 jul, 2009
Artigos / Opinião, Crise Econômica, Economia