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Israel, cem anos sem paz.

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Em uma única semana, Israel dedica três dias aos mais significativos momentos da criação de seu Estado. O Dia do Holocausto, internacionalizado pelas Nações Unidas por sua inédita dimensão, na última terça-feira. Para os judeus é um dia de luto, pois poucos não tiveram familiares massacrados. Seu significado maior é de que o genocídio jamais seja esquecido. Israel, país de pouco mais de sete milhões de habitantes, renascido após a 2ª Guerra, acrescenta “e nunca mais repetido”.

Milhões de nomes de vítimas estão preservados em arquivos e museus. Os nazistas, os autores, eram disciplinados, eficientes e organizados. Tudo registravam.

Alguns dos campos especialmente construídos como matadouros pelo governo de Adolf Hitler, tais como Aushwitz, na Polônia, onde foi registrado um milhão de mortes, são preservados como memoriais. Mas existe quem negue ter acontecido. O presidente do Irã, que vai ao Brasil em visita, é um deles. Proclama em todas as oportunidades o objetivo de destruir Israel. E sustenta por todos os meios possíveis o Hezbollah, fato que não negou, o Partido de Deus libanês, e o Hamas, Frente Islâmica de Resistência Palestina, que domina Gaza e que destaca em seus programas a mesma vontade.

Da noite desta segunda-feira, 27, ao anoitecer de amanhã, como conta o calendário lunar, é o Dia da Recordação no qual são lembrados 22.570 mortos na defesa do ideal do renascimento e do Estado renascido, em 1948. Os mortos são contados a partir de 1860, ano em que judeus ortodoxos que sobreviviam, em Jerusalém, construíram fora das muralhas um primeiro bairro próprio após milhares anos. A cerimônia atual acontece junto ao chamado Muro das Lamentações, o que sobrou da destruição do Segundo Templo, de Herodes há dois mil anos.

Ambos são feriados seculares. Nas suas preces, os judeus relembram seu passado multimilenar. Mas a essência da fé judaica, se é que é possível resumi-la, é de que a criação existe para se proclamar a glória de Deus. O luto é de 11 meses, no fim dos quais se volta à rotina da normalidade. Nas preces, nos funerais não se pronuncia nem uma só vez a palavra morte. Existe a crença no retorno.

O Dia da Recordação (Iom Zikaron) acaba no princípio dos festejos do Dia da Independência. Vinte e quatro horas de muita alegria. É feriado nacional. Tudo fecha.

Falando na solene cerimônia da noite de 27 o general comandante das Forças Armadas enfatizou a ambição de se poder festejar o Dia da Paz, Shalom.

Obama, presidente dos EUA, convidou o chefe do governo israelense , o presidente da Autoridade Palestina e o presidente do Egito para visitá-lo em dias diversos na Casa Branca, onde acaba de receber o rei da Jordânia . Abdala declarou a ele,e proclamou aos quatro cantos, que urge a solução do conflito israelense-palestino ou uma nova guerra será inevitável.
Na manhã desta segunda, Abu Mazen, presidente da Autoridade Palestina, declarou, em duríssimo discurso, que Israel “é o país que existia nas linhas fronteiriças que tinha antes da Guerra dos Seis Dias de 1967 e não aceito nem um centímetro além“.

Em 1967 Israel conquistou o deserto do Sinai até a margem do canal de Suez que devolveu ao Egito depois da guerra de 1973 em troca de uma paz. Conquistou a Jerusalém murada e da Cisrjodânia à Jordânia. Esta área devolveu em troca de paz, mas cerca de 350 mil israelenses assentaram-se no local que a Jordânia entregou aos palestinos para nela proclamarem o seu Estado independente. Os assentados ameaçam resistir se tentarem retirá-los.

Uma das condições de Israel para uma solução é a de que seja reconhecida como Estado judeu. Os palestinos se negam e exigem gestos demonstrando a disposição de Israel de retirar sua gente da Cisjordânia. É muito complexa a questão. Obama afirma que vai promover a solução. Ainda não testou sua pessoa quanto a esse caso. Talvez, quem sabe, tenha os argumentos que viabilizem a paz. No entanto, o ceticismo ainda é a melhor atitude quanto a essa questão.

Por Nahum Sirotsky.


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Enrique Villalobos - que escreveu 68 posts no MondoPost.